UNICEF: estudante amazonense conduz Tocha Olímpica para representar crianças e adolescentes

Ingra Rodrigues, de 17 anos, conduziu o símbolo das Olimpíadas e Paralimpíadas no último domingo (19), na capital do Amazonas.

“Levar a Tocha em Manaus é uma forma de representar toda a diversidade dos adolescentes ribeirinhos da Amazônia, que muitas vezes enfrentam dificuldades para ir à escola e ter acesso a outros serviços”, contou a jovem.

No último domingo (19), a estudante amazonense Ingra Rodrigues Mendes conduziu a Tocha Olímpica em Manaus em nome de todas as crianças e adolescentes do mundo. A jovem de 17 anos foi escolhida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para participar do revezamento do símbolo das Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016.

Todos os dias, Ingra sai de sua casa às 11 horas da manhã. Com muita disposição, ela leva uma hora e meia para chegar ao colégio onde estuda. Em época de cheia do Rio Solimões, a adolescente utiliza duas embarcações para ir à escola. Mas, no período de seca, é necessário percorrer um trecho de canoa e outro de ônibus.

“Levar a Tocha em Manaus é uma forma de representar toda a diversidade dos adolescentes ribeirinhos da Amazônia, que muitas vezes enfrentam dificuldades para ir à escola e ter acesso a outros serviços. Por exemplo, eu faço curso de inglês no sábado em Manaus, daí, todo sábado, acordo às 4 da manhã para poder estar no curso às 8 da manhã.”

Moradora da comunidade ribeirinha Carreiro da Várzea, participante do programa Selo UNICEF Município Aprovado, a jovem tem paixão pelos estudos e pelo esporte. Incentivada pelos pais, um agricultor e uma artesã, ela pratica handebol, vôlei e futsal na escola. Aluna aplicada, Ingra deseja cursar faculdade de Biomedicina.

“Sempre gostei de estudar genética, mutação humana, essas coisas relacionadas à biologia, que é a matéria que eu mais gosto. A escola é uma peça fundamental para seguir adiante, ela é uma porta de entrada para a vida.”

Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), histórias como a da jovem amazonense são essenciais para destacar o poder do esporte como ferramenta de inclusão social capaz de criar perspectivas de um futuro melhor.

“Para uma criança ou adolescente ribeirinho, o desafio de inclusão se torna ainda maior. Garantir o direito ao esporte inclusivo e seguro a cada criança e cada adolescente na Amazônia significa não só construir quadras nas escolas, mas garantir acesso a esses equipamentos, professores qualificados e metodologias que dialoguem com a realidade desses meninos e meninas”, comentou o coordenador da Plataforma Amazônia do UNICEF, Unai Sacona.

Ingra foi uma dos seis meninos e meninas selecionados por uma parceria entre a agência da ONU e o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 para participar do revezamento da Tocha Olímpica e representar os cerca de 2,2 bilhões de jovens que vivem em todo o mundo.