Estudo apoiado pelo PNUD ajuda a definir perfil e a formular políticas públicas para classe média

A iniciativa é um instrumento que será utilizado para definir o perfil desse estrato social e que servirá de insumo para nortear a formulação de políticas.

(Silvia Cavichioli/ PNUD Brasil)A classe média brasileira já representa mais da metade da população do país, fato que desperta cada vez mais a atenção de estudiosos tanto do setor público quanto do privado. Nos últimos 10 anos, 35 milhões de brasileiros ingressaram nesse estrato social. Estima-se que até o final de 2012 a classe média brasileira somará mais de 100 milhões de pessoas, chegando a 53% da população, ante os 38% de 2002. Se representasse um país, esta camada da população formaria o 12º mais populoso do mundo, logo atrás do México.

Os dados integram a primeira parte da pesquisa que compõe o projeto Vozes da Classe Média, lançado quinta-feira (20) pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Caixa Econômica Federal. A iniciativa é um instrumento que será utilizado para definir o perfil desse estrato social e que servirá de insumo para nortear a formulação de políticas públicas adequadas para o segmento.

Segundo o estudo, o crescimento do país, aliado à redução na desigualdade, explica esta expansão significativa da classe média no Brasil. Por causa dessa combinação, a redução da classe baixa foi muito mais intensa que a expansão da classe alta. Caso o país não tivesse reduzido seu grau de desigualdade, teriam deixado a classe baixa (e entrado na classe média) apenas 16% da população (em vez dos 21% que efetivamente ascenderam) enquanto teriam ascendido à classe alta (saindo da classe média) 10% da população (em vez dos 6% que efetivamente ascenderam). O estudo conclui, portanto, que o alargamento da classe média brasileira é muito mais um resultado da queda na desigualdade do que propriamente do crescimento econômico.

Pelos critérios do Governo brasileiro, são de classe média famílias que vivem com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês. Abaixo de R$ 291, encontra-se a classe baixa e acima de R$ 1.019, a alta. A classificação foi fruto de verificações empíricas e considera que todos aqueles situados na faixa média têm baixa probabilidade de passarem a ser pobres no futuro próximo.

Crescimento de 3,5% ao ano

Graças ao processo de crescimento com redução na desigualdade, a renda daqueles que hoje formam a classe média brasileira cresceu 3,5% ao ano na última década, enquanto a renda média das famílias brasileiras cresceu 2,4% ao ano no mesmo período.

Os quatro fatores determinantes imediatos para esse crescimento da renda foram: reduções na razão de dependência, aumento das transferências públicas, expansão do acesso ao trabalho e crescimento na produtividade do trabalho.

Para o Representante Residente do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, o Vozes da Classe Média será um instrumento que permitirá aprimorar a compreensão dessa realidade, possibilitando a adaptação de qualidade das políticas públicas e o compartilhamento da experiência em âmbito global. “Estamos muito orgulhosos de participar desse tipo de parceria, que acaba gerando a formulação de políticas sociais importantes para o país”, destacou Chediek.

O mapeamento aponta as múltiplas faces da classe média: de onde vem, onde mais cresceu, como se comporta, como utiliza os serviços públicos, o que pensa e o que deseja, quais as suas necessidades, receios, valores e como avalia os serviços públicos, entre outros aspectos.

Faces da classe média

Todos os grupos socioeconômicos brasileiros encontram-se representados na classe média, embora alguns em maior proporção do que outros. O estudo mostra que a classe média está bastante concentrada na área urbana, na região Sudeste, nas pessoas com educação média, nos trabalhadores formais e nos segmentos de indústria e comércio.

Negros e brancos detêm aproximadamente a mesma proporção de pessoas na classe média (53% e 47% respectivamente). Além disso, tanto um grupo quanto o outro encontra-se em equilíbrio na classe média: 53% dos negros pertencem à classe média, bem como 53% dos brancos. Isso significa que já não há desigualdade racial no interior dessa classe. Este equilíbrio, no entanto, não quer dizer que as desigualdades raciais foram superadas. Nas demais classes elas perduram: enquanto os negros estão fortemente representados na classe baixa, os brancos formam a maioria na classe alta.

Publicações bimestrais

O Vozes da Classe Média produzirá pesquisas, estudos e dados que serão publicados em cadernos bimestrais. O projeto está organizado em duas grandes etapas. De imediato, são exploradas as fontes de dados existentes, como a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas produzidas pelo IBGE.

Além destes dados, o projeto aproveitará também a ampla variedade de pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Data Popular.
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