Estudo do UNICEF em países ricos alerta sobre cortes de serviços de proteção à infância

Países nórdicos e a Holanda são os mais bem colocados em lista do Fundo das Nações Unidas para a Infância que classifica o bem-estar das crianças em 29 países industrializados.

Uma menina brinca em Zurique, na Suíça, país colocado em 8º de 29 países analisados em um estudo sobre o bem-estar infantil em países ricos. Foto: UNICEF/ Daniel Auf Der Mauer.

Uma menina brinca em Zurique, na Suíça, país colocado em 8º de 29 países analisados em um estudo sobre o bem-estar infantil em países ricos. Foto: UNICEF/ Daniel Auf Der Mauer.

Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicado nesta quarta-feira (10) mapeou as conquistas das economias mais avançadas do mundo de 2000 a 2010. O estudo descobriu que a pobreza infantil nesses países é suscetível a políticas dos governos, advertindo contra medidas que cortam serviços de proteção a crianças, visto que elas fazem parte de um segmento muito vulnerável da sociedade.

“Tanto no contexto atual de crise econômica quanto em melhores períodos financeiros, o UNICEF pede aos governos e parceiros sociais para colocar as crianças e os jovens como prioridades nos seus processos de decisão”, disse o Diretor do Escritório de Pesquisa do UNICEF, Gordon Alexander.

“Para cada nova medida política que é considerada ou introduzida, os governos têm que estudar os seus impactos sobre as crianças, famílias com crianças, adolescentes e jovens. Esses grupos não têm uma voz nos processos políticos, ou têm vozes que são raramente ouvidas.”

O estudo mede o desenvolvimento de acordo com cinco dimensões da vida das crianças: o bem-estar material, saúde e segurança, educação, comportamentos e riscos, moradia e meio ambiente.

Riqueza de um país não significa proteção à infância

Essas dimensões não são inteiramente dependentes da riqueza de um país, visto que o estudo não encontrou uma forte relação entre a renda per capita e o bem-estar geral da criança. Por exemplo, a Eslovênia está acima do Canadá, a República Tcheca acima da Áustria e Portugal acima dos Estados Unidos.

O estudo sobre o bem-estar da criança, no entanto, é uma área de estudo relativamente novo. A agência destacou que o panorama apresentado ainda é um “trabalho em andamento”.

O UNICEF afirmou que os resultados atuais mostram um progresso, mas alertou que o estudo foi realizado antes de muitos países implementarem medidas de austeridade e cortes no orçamento por causa da crise econômica.

O documento — denominado “Bem-estar infantil nos países ricos” — também inclui os pontos de vista das próprias crianças sobre a satisfação com suas próprias vidas.

O Fundo afirma que é necessário ouvir o que importa para as crianças, e conseguir fazer isso de maneira mais sistemática.

“O que as crianças têm para dizer, mesmo muito novas, é vital”, disse Alexander. Segundo ele, “os governos precisam orientar suas políticas de maneira que o futuro de seus filhos e suas economias estejam garantidos. Isso nunca foi mais importante do que no cenário atual.”