Cerca de 800 líderes empresariais de mais de 70 países reuniram-se em Nova Iorque no fim de setembro (21) com representantes de organizações da sociedade civil, governos e das Nações Unidas para a cúpula do Pacto Global da ONU.
Convocada durante o 72ª Assembleia Geral, o encontro teve como objetivo impulsionar ações e parcerias empresariais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e do Acordo de Paris para o clima.
Cerca de 800 líderes empresariais de mais de 70 países reuniram-se em Nova Iorque no fim de setembro (21) com representantes de organizações da sociedade civil, governos e das Nações Unidas para a cúpula do Pacto Global da ONU.
Convocada durante o 72ª Assembleia Geral, o encontro teve como objetivo impulsionar ações e parcerias empresariais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e do Acordo de Paris para o clima.
Em mensagem de vídeo, a secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed, afirmou que “para alcançar nossos objetivos, precisamos de líderes de toda a sociedade, especialmente daqueles oriundos dos negócios, para mostrar que a coragem contribui para traçar um novo curso para a humanidade”.
Ela destacou ainda que “alcançar os ODS também exige colaboração”, incentivando os participantes a “realizar parcerias, inclusive com as Nações Unidas, especialmente em seus países, onde as redes locais do Pacto Global possuem um importante papel a desempenhar”.
Com o objetivo de orientar os participantes a rejeitarem o status quo e a mentalidade conservadora nos negócios, o evento promoveu debates com líderes de diversos setores sobre os desafios e oportunidades para alcançar os objetivos globais.
Os painelistas exploraram o papel do setor privado e do poder público na proteção do planeta por meio do apoio ao Acordo de Paris.
Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres, destacou o papel da tecnologia no avanço do ODS 5: Igualdade de Gênero. “Dos próximos 1 bilhão que estarão conectados à Internet, 75% deles devem ser mulheres e meninas. Neste momento, a lacuna entre homens e mulheres que estão se conectando está se ampliando. Temos que mudar essa tendência. As mulheres foram excluídas da Revolução Industrial. Não devemos perder a Revolução Digital”, disse.
Falando sobre sua própria cidade, que passou por importantes mudanças nos últimos anos, Bill Peduto, prefeito de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mencionou as formas com as quais as cidades podem contribuir para o avanço dos objetivos globais.
“Pessoas realmente inteligentes começaram a pensar sobre como o nosso futuro poderia ser diferente do nosso passado. Ao invés de oferecer uma falsa esperança e uma falsa narrativa, ofereceram um plano de longo prazo de como uma cidade — que teve seu coração econômico arrancado e todos diziam que havia morrido — poderia ressurgir”, contou.
Paul Polman, presidente da Unilever, lembrou que “na implementação dos ODS, como em qualquer processo de mudança, haverá estrangulamentos, contratempos, pessoas cínicas e céticas”. “É preciso liderança corajosa. É daí que vem o avanço: de pessoas que entendem que colocar os interesses dos outros à frente dos seus é, na verdade, um interesse próprio”.
Seis dos dez eleitos para o Prêmio SDG Pioneers 2017 — reconhecidos por fazer um trabalho excepcional de ação para atingir os objetivos globais — foram agraciados durante o evento.
Eles compartilharam histórias de como estão trabalhando para defender a sustentabilidade em suas empresas e mobilizar a comunidade empresarial de forma mais ampla. Entre as homenageadas presentes, estava a executiva brasileira Tânia Cosentino, presidente para a América do Sul da empresa de gestão de energia Schneider Electric.
A presidente e diretora-executiva do Pacto Global da ONU, Lise Kingo, falou sobre mudança e inovação. “É incrível ver quantas empresas estão levando em conta os Dez Princípios do Pacto Global em suas estratégias de negócio, rumo aos ODS. Todos devemos nos sentir encorajados a continuar seguindo esse caminho”.
Em um esforço para criar um movimento global para a sustentabilidade, Lise desafiou os líderes empresariais a encontrar maneiras de fazer com que todos os seus funcionários sejam “embaixadores dos ODS”.
Novos recursos
A cúpula também procurou impulsionar o setor privado a aumentar o foco de suas ações nas pessoas e no planeta, incentivando-o a desenvolver inovações e trabalhar em conjunto para medir o progresso e o impacto sobre os ODS.
Com menos de 5 mil dias para o cumprimento dos objetivos globais até 2030, o Pacto Global da ONU lançou um novo conjunto de ferramentas e recursos para apoiar as empresas, independentemente do patamar em que estejam rumo à sustentabilidade.
Entre elas, destaca-se o Blueprint for Business Leadership (Plano para a Liderança dos ODS), que tem como objetivo inspirar todas as empresas — independentemente do tamanho, setor ou local — a adotar ações de liderança em apoio à conquista dos objetivos globais.
A plataforma ilustra como cinco qualidades de liderança — ambição, colaboração, responsabilidade, consistência e intenção — podem ser aplicadas a estratégias de negócios, modelos, produtos, cadeias de suprimentos, parcerias e operações para criar impacto em escala.
O Blueprint é uma ferramenta para qualquer empresa que esteja pronta para avançar com os princípios dos ODS e se tornar líder.
Há também o Reporting on the SDGs (Relatando os ODS), um guia para medir o progresso em cada um dos 17 objetivos globais. Desenvolvido em parceria com a Global Reporting Initiative e com o apoio da PwC, trata-se de um inventário abrangente de indicadores comprovados e ratificados para cada objetivo aceito em âmbito global. Trata-se de um passo importante para a estruturação de um único mecanismo de listagem de indicadores.
O Breakthrough Innovation for the SDGs (Inovação para os ODS) também lançou dois produtos demonstrando como as empresas podem empregar novos modelos de negócios e tecnologias disruptivas para acelerar o progresso rumo aos objetivos globais.
Já o 2017 UN Global Compact Progress Report (Relatório de progresso do Pacto Global: Soluções empresariais para o desenvolvimento sustentável), tem como base uma pesquisa de 2017 com 9,5 mil empresas que participam do Pacto Global, monitorando pela primeira vez os ODS.
Quase 2 mil empresas responderam, representando 22% dos participantes em todas as regiões e contemplando vários setores de negócios e tamanhos de empresas. O documento destaca possíveis inovações, ao lado de produtos e serviços que prometem transformar os mercados para um futuro mais sustentável, e apresenta oportunidades para um engajamento mais profundo.
O The Breakthrough Pitch (Plataforma de Passo Avançado) é um guia projetado para ajudar os profissionais de sustentabilidade a comunicar a importância dos objetivos globais às equipes internas e identificar oportunidades para usá-las como uma lente para estimular a inovação.
Por fim, o Breakthrough Innovation Challenge (Desafio Avançado para Inovações) reuniu lideranças de sete empresas signatárias do Pacto Global em 2016 para desafiá-los a criar soluções que empreguem tecnologias disruptivas e novos modelos de negócios.
As empresas participantes desenvolveram e lançaram sete soluções promissoras na cúpula, cada uma com base em tecnologias disruptivas e com o potencial de enfrentar desafios urgentes em setores que vão da agricultura à energia.