Exposição fotográfica no Chile retrata crise de refugiados na Europa

Exposição fotográfica “Odisseias Humanas” em Santiago, no Chile, narra o drama de milhares de refugiados e migrantes sob as lentes de fotógrafos da Agence France-Presse (AFP). A iniciativa recebeu o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

O fotojornalista Aris Messinis capturou milhares de jaquetas salva-vidas na ilha grega de Lesbos. A imagem faz parte da exposição “Odisseias Humanas”. Foto: Aris Messinis/AFP PHOTO

O fotojornalista Aris Messinis capturou milhares de jaquetas salva-vidas na ilha grega de Lesbos. A imagem faz parte da exposição “Odisseias Humanas”. Foto: Aris Messinis/AFP PHOTO

Uma imagem exibe milhares de coletes salva-vidas jogados no chão, empilhados uns sobre os outros. Estão dispersos na beira da praia, confundindo-se com a areia suja, a vegetação e os restos de barcos de madeira.

As jaquetas laranjas cobrem quase toda a costa, e, sem querer, revelam a situação de fragilidade de adultos e crianças que tiveram que arriscar suas vidas para chegar a um destino mais seguro.

Aris Messinis, fotojornalista grego da Agence France-Presse (AFP), estava presente na cena e decidiu utilizar sua câmera para capturar esse momento impressionante.

Atualmente, a imagem está sendo exibida na exposição “Odisseias Humanas”, iniciativa organizada pela AFP, com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), do Fundo Cultural Franco-Alemão, do Instituo Francês, do Conselho Nacional da Cultura e das Artes e da Universidade de Santiago.

“Odisseias Humanas” narra o drama de milhares de refugiados e migrantes pelas lentes dos fotógrafos da AFP, a agência de notícias mais antiga do mundo.

“Acho que ver as fotos em uma exposição te aproxima mais das pessoas, é quase possível senti-las e ver o sofrimento em seus rostos. Há uma relação íntima entre o sofrimento e a beleza dos outros”, conta Ana Fernandez, diretora da AFP no Chile, Peru e Bolívia.

As imagens capturadas por Aris Messinis e outros 23 fotojornalistas, como o peruano Martín Bernetti, o búlgaro Dimitar Dilkoff e o esloveno Jure Makovec, serão exibidas no Edifício de la Fundación Telefónica, em Santiago, até o dia 23 de julho.

“Como fotojornalista, meu trabalho se consiste em cobrir grandes histórias por trás das guerras e dos conflitos. Tento mostrar a realidade de cada lugar, da forma mais objetiva possível, para que as pessoas ao redor do mundo possam ter uma ideia do que acontece em volta delas”, relata Messinis, que trabalha na agência desde 2003.

Parte da experiência de Messinis inclui a cobertura do conflito na Líbia em 2001, a chegada de refugiados à Ilha de Lesbos e a crise humanitária na Síria e no Iraque.

Messinis, que trabalha como chefe de fotografia da AFP em Atenas, viu a situação de milhares de refugiados e deslocados que fugiram de seus países em busca de proteção. A fotografia dos jalecos salva-vidas é só uma das dezenas de imagens que o fotojornalista registrou para destacar a realidade dessas pessoas de forma crua.

“As condições de vida desses refugiados e migrantes são na maioria das vezes muito ruins. O número de pessoas que precisa de ajuda é enorme, e isso dificulta o trabalho das organizações que trabalham no terreno para prestar assistência a eles. Geralmente, os governos não estão interessados em cuidar deste tipo de população e, infelizmente, a maioria dos residentes dos países acolhedores não os recebe de forma amigável”, contou.

“Acho que não estamos aprendendo com a nossa história, nem tudo se trata do nosso próprio bem-estar ”.

Diante disso, uma das principais mensagens que Messinis tentou transmitir é de que ninguém está salvo de conflitos ou de perseguição.

“Sempre temos que ter em mente que no futuro podemos ser nós que precisaremos de ajuda. Nosso mundo está mudando tão rapidamente, não sabemos como podemos ser afetados por essas mudanças”, explicou o fotógrafo, cuja avó também foi refugiada.

A alguns metros da sala onde se exibe a exposição fotográfica, o público teve a oportunidade de participar do curso “Odisseias Humanas na alvorada do século 21”.

Em uma das sessões, o ACNUR expôs aos participantes a situação de 16,5 milhões de refugiados no mundo e a necessidade de um esforço colaborativo entre os Estados, a sociedade civil e a comunidade internacional, de modo que se garanta a proteção dos refugiados , segundo a chefe nacional do ACNUR no Chile, Delfina Lawson.

“Odisseias Humanas” apoiado pelo ACNUR, narra a viagem de milhões de migrantes e refugiados por meio de de fotografias da Agence France-Presse (AFP). Foto: AFP PHOTO

“Odisseias Humanas” apoiado pelo ACNUR, narra a viagem de milhões de migrantes e refugiados por meio de de fotografias da Agence France-Presse (AFP). Foto: AFP PHOTO