Em visita à Alemanha, onde as atividades nacionais da ONU completaram 20 anos nessa semana, o secretário-geral Ban Ki-moon elogiou os esforços do país e pediu aos líderes europeus que se unam para encontrar repostas adequadas à crise de refugiados. Estados devem compartilhar responsabilidades para lidar com movimento em massa de deslocados.

Refugiada iraquiana carrega seu filho próximo à fronteira norte da Grécia. O país já recebeu mais de 120 mil pessoas deslocadas em 2016. Nações europeias ainda não implementaram acordos de reassentamento que preveem a redistribuição de mais de 66 mil refugiados pelo continente. Foto: ACNUR / Achilleas Zavallis
Em visita a Bonn, na Alemanha, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação nesta terça-feira (8) quanto às políticas de asilo cada vez mais restritivas, implementadas muitos países da Europa.
Para o chefe das Nações Unidas, partidos políticos ultranacionalistas e da extrema-direita estão “inflamando a situação” da atual crise de refugiados que chegam ao continente vindo da Síria, do Afeganistão e outros lugares.
Ban Ki-moon elogiou a atuação da chanceler alemã, Angela Merkel, que “tem mostrado enorme compaixão e caráter estadista ao tentar assegurar uma abordagem efetiva e baseada em direitos para esse desafio”.
De acordo com o secretário-geral, os Estados membros precisam buscar soluções harmoniosas, fundamentadas no compartilhamento das responsabilidades, no direito internacional humanitário e nos direitos humanos.
Ban Ki-moon lembrou que, em setembro desse ano, ele conduzirá uma Cúpula da Assembleia Geral sobre movimentos em massa de refugiados e migrantes, ocasião durante a qual os países poderão encontrar respostas “mais humanas e coordenadas” para a crise.
A visita do chefe das Nações Unidas à Alemanha foi motivada pelo aniversário de 20 anos dos organismos nacionais da ONU no país.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à esquerda), com a chanceler alemã Angela Merkel durante coletiva de imprensa em Berlim. Foto: ONU/Evan Schneider
As atividades da Organização se concentram em Bonn, onde estão instalados escritórios da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), da Universidade das Nações Unidas, da Convenção da ONU para Combate à Desertificação (UNCCD) e do Centro de Informação baseado no Espaço para Gerenciamento de Desastres e Resposta de Emergências do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Sideral (UN-SPIDER).
Apesar das divergências entre a comunidade internacional, Ban Ki-moon destacou que, em 2015, os Estados-membros conseguiram se unir para aprovar a Agenda 2030 e o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, que foi elaborado em Bonn.
O secretário-geral chamou atenção para suas recentes viagens a países da África, intensamente afetados por fenômenos naturais.
“Pela África Central, Ocidental e Oriental, eu vi os impactos das mudanças climáticas e da desertificação. Eu vi uma fragilidade generalizada. Eu senti o anseio das pessoas por estabilidade, oportunidade e dignidade. E percebi, de maneira muito forte, a urgência do trabalho que vocês fazem aqui em Bonn”.