Extremismo, violência e deslocamento persistem no Oriente Médio, diz enviado da ONU

Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, alertou que esses fenômenos estão alimentando a intolerância, a violência e o radicalismo religioso muito além da região.

Coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, atualizando o Conselho de Segurança sobre a situação na região. Foto: ONU / Eskinder Debebe

Coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, atualizando o Conselho de Segurança sobre a situação na região. Foto: ONU / Eskinder Debebe

O extremismo violento, o derramamento de sangue e o deslocamento persistem em no Oriente Médio, informou ao Conselho de Segurança na semana passada o coordenador especial da ONU para o processo de paz na região, Nickolay Mladenov.

Ele alertou que esses fenômenos estão alimentando a intolerância, a violência e o radicalismo religioso muito além da região.

“É fundamental que todos entendam que nunca devemos permitir que o conflito Israel-Palestina se desvie para o abismo do extremismo e do radicalismo que varre o Oriente Médio”, disse Mladenov.

“Os palestinos, os israelenses e a comunidade internacional têm o dever de agir com responsabilidade, evitar a escalada de tensões, abster-se de ações unilaterais e trabalhar juntos para defender a paz”, acrescentou.

Ele também chamou a atenção dos membros do Conselho para a recém-adotada “Lei de Regularização”, cujo objetivo é regularizar retroativamente milhares de unidades de assentamentos construídas em terras de palestinos que vivem sob ocupação, bem como dezenas de postos ilegais.

Observando que a Lei é contrária às diretrizes do direito internacional, Mladenov disse ao Conselho que o Supremo Tribunal deverá se pronunciar sobre a constitucionalidade da norma em breve.

“Se a Lei continuar existindo, terá consequências de longo prazo para Israel e prejudicará seriamente as perspectivas para a solução de dois Estados e para a paz árabe-israelense”, alertou.

O enviado da ONU também chamou a atenção para a situação volátil em Gaza, que continua a agravar os desafios humanitários e de desenvolvimento da região.

“Este inverno tem testemunhado uma grave crise de eletricidade que em dezembro deixou os palestinos em Gaza com apenas duas horas de eletricidade por dia”, disse, informando sobre o trabalho da ONU para enfrentar os desafios de eletricidade de forma sustentável.

Mladenov lembrou ainda que o relatório do Quarteto para o Oriente Médio – grupo formado pela ONU, União Europeia, Rússia e EUA – e as resoluções do Conselho de Segurança destacavam claramente o que é necessário para promover uma paz sustentável e justa na região.

“A solução de dois Estados continua sendo a única forma de alcançar as legítimas aspirações nacionais de ambos os povos”, concluiu.