Facções beligerantes na Líbia não mostram nenhum respeito por civis, afirma ONU

Documento da ONU avalia violações de direitos humanos de 1 de janeiro a 31 de outubro e registra tortura e morte de civis por questões de parentesco e divergência de afiliação política.

Explosivos: retratos da guerra na Líbia. Foto: Giovanni Diffidenti

Explosivos: retratos da guerra na Líbia. Foto: Giovanni Diffidenti

Todas os participantes do conflito na Líbia violam os direitos humanitário e internacional, em atos que podem ser considerados crimes de guerra. Esta é a conclusão do relatório de direitos humanos que avaliou o período de 1 de janeiro a 31 de outubro, publicado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e pela Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL), nesta segunda-feira (16).

Entre a lista de crimes se encontram atos de tortura, execução, rapto de civis, bombardeio indiscriminado e destruição de propriedades, destacando os abusos cometidos contra civis vulneráveis, como deslocados, defensores de direitos humanos, migrantes, exilados e refugiados.

De acordo com o relatório, as facções beligerantes não mostraram preocupação em preservar os direitos dos civis. Há casos de sequestros relacionados a parentesco, origem ou afiliação política divergente. O documento também registra a existência de grupos que se declaram aliados ao Estado Islâmico do Iraque e o Levante (ISIL).

Em diferentes partes do país, juízes, promotores, jornalistas e defensores de direitos humanos receberam ameaças e ataques. Nas últimas duas semanas, cerca de oito jornalistas foram atacados e, ao menos um, continua em prisão arbitrária.

“O sistema de justiça, onde ainda funcionando, falhou na garantia de responsabilidade. Enquanto isso, abusos cometidos por grupos armados continuam a atuar impunemente”, aponta o relatório. O documento acrescenta que os abusos e a violência só terão fim por meio de um acordo político baseado no respeito aos direitos humanos e que restabelece o Estado de Direito no país.