Falta de ação da comunidade internacional pode ocasionar desastre humanitário no Sahel, alerta ONU

“Estamos pedindo, todos nós, um fim à indiferença global que temos encontrado até agora”, ressaltou o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake.

Funcionários da ONU pediram nesta terça-feira (10/04) que a comunidade internacional disponibilize mais recursos para ajudar milhões de pessoas afetadas pela dura crise alimentar e nutricional na região do Sahel, na África Ocidental. Segundo eles a falta de ação global pode levar a um desastre humanitário.

“Eu sei que há um certo esgotamento. Tenho lido comentários em blogs e em outros lugares que ‘aqui vamos nós de novo, mais uma vez a fome, as crianças, mais uma vez africanos estão morrendo; mais uma vez, há um apelo por ajuda’”, disse o Diretor Executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake. “Ao agirmos de forma enérgica e contundente, podemos evitar crises futuras… ajudando agora nesta crise, os sistemas de saúde, centros comunitários de nutrição (…) podemos construir um futuro com maior capacidade”.

Lake, que acabou de voltar de uma visita ao Chade, destacou que das 15 milhões de pessoas afetadas pela seca e pelos conflitos relacionados com crise na região, cerca de 1,5 milhão são crianças que enfrentam a perspectiva de desnutrição aguda.

“Estamos pedindo, todos nós, um fim à indiferença global que temos encontrado até agora”, ressaltou Lake. Agências das Nações Unidas e parceiros pediram em dezembro passado 724 mil dólares para financiar a resposta humanitária à crise no Sahel, mas apenas 50% desse requisito de financiamento foi recebido até agora.

“A verdade é que há muito pouca atenção para a crise do Sahel”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres. “A maior parte do foco da comunidade internacional tem sido sobre a crise na Síria.”

Descrevendo a situação alimentar e nutricional na região do Sahel como uma crise de saúde pública, a Diretora-Geral da OMS, Margaret Chan, pediu ao mundo que transforme a situação em uma ‘janela de oportunidade’ para melhorar as condições humanitárias.

“Nós precisamos perguntar a nós mesmos, podemos transformar este perigo em uma oportunidade? É por isso que gostaria de trazer a crise para a atenção da comunidade internacional”, disse Chan.