Dos três milhões de pessoas deslocadas pelo conflito no Iraque, cerca de um terço está no Curdistão e em províncias adjacentes. Falta de recursos e de empregos coloca iraquianos em situação de risco.

Meninas fazem fila em cozinha comunitária na província de Dohuk, no Curdistão iraquiano. Foto: ACNUR / B. Szandelszky
Agências da ONU chamaram a atenção, nesta sexta-feira (27), para a situação das populações deslocadas na região do Curdistão, no Iraque. De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a crise no país, que já dura dois anos, deixou mais de três milhões de pessoas deslocadas pelo Iraque. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alertaram para o risco de insegurança alimentar entre os iraquianos.
Segundo estimativas do OCHA, cerca de um milhão de pessoas deslocadas estão no Curdistão e em áreas adjacentes das províncias de Ninewa e Diyala. Uma pesquisa realizada pelas agências da ONU descobriu que as elevadas taxas de desemprego e a escassez de recursos na região curda estão levando iraquianos a utilizar estratégias de sobrevivência negativas, como a ingestão de porções de alimentos menores, o uso de poupanças para a compra de comida e o hábito de “pular refeições”.
“Fazendeiros tiveram seus equipamentos e colheitas destruídos, as safras em queda e mercados foram arruinados. Flutuações de preço, fornecimento reduzido de água e insegurança devastaram a produção geral de alimentos pelo país e pressionam os 2,4 milhões de iraquianos que enfrentam insegurança alimentar”, explicou o representante da FAO no país, Fadel ElZubi.
A falta de recursos afeta também o PMA, cujas ações estão subfinanciadas, conjuntura que levou a agência a reduzir em até 50% as rações alimentares oferecidas. O OCHA alertou que Sistema de Distribuição Pública, que é administrado pelo governo iraquiano e oferece comida para todos os cidadãos, também está enfrentando dificuldades.