‘Falta de horizonte político aumenta risco de violência entre israelenses e palestinos’, afirma ONU

Em reunião especial do Comitê das Nações Unidas sobre o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, reafirmou que a falta de esperança e as frequentes violações aos direitos dos palestinos podem afastar qualquer possibilidade de paz para a região.

Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia. Foto: Wikicommons/Justin McIntosh (CC)

Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia. Foto: Wikicommons/Justin McIntosh (CC)

As Nações Unidas determinaram 2014 como Ano Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, com o intuito de estabelecer um compromisso global capaz de pôr fim ao conflito israelo-palestino. No entanto, após 12 meses, as esperanças em Gaza e na Cisjordânia, incluindo em Jerusalém Oriental, permanecem baixas, afirmou o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson nesta terça-feira (23).

A declaração foi feita em reunião especial do Comitê das Nações Unidas sobre o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, às vésperas do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino.

“No dia 29 de novembro de 2012, o Estado da Palestina entrou nas Nações Unidas como Estado-observador não-membro nas Nações Unidas. Hoje, 136 países reconhecem o Estado da Palestina e sua bandeira flana na Organização das Nações Unidas próximas a de outros Estados-membros. No entanto, esses avanços diplomáticos não são sentidos pelas crianças em Gaza, ou pelos palestinos de Nablus e Hebrom”, declarou.

Ocupações ilegais e demolições de propriedades palestinas incitam a violência nos territórios ocupados ilegal, afirmou Eliasson. “Tais políticas e ações são diretamente contrárias à intenção do Governo de Israel de encontrar uma solução para os dois Estados”, observou, destacando também a dimensão religiosa do conflito, depois de tensões relacionadas aos lugares sagrados na Cidade Velha de Jerusalém recentemente.

Eliasson elogiou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por suas declarações de que Israel não mudará o status quo da Mesquita de Al-Aqsa, considerada o terceiro local mais sagrado do islamismo. O subsecretário da ONU também condenou a onda de “abomináveis ataques, esfaqueamentos e tiroteios que causaram imenso sofrimento entre israelenses e palestinos”.

“É muito claro que os palestinos sentem profunda frustração diante de uma ocupação que tem durado aproximadamente 50 anos. Da mesma forma, israelenses temem fortemente pela sua segurança. A falta de um horizonte político para alcançar uma solução para os dois Estados aumenta o risco desta situação ficar incontrolável”, explicou Eliasson.