Em reunião em Genebra, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertou que a reduções inéditas no financiamento da resposta ao HIV/AIDS ameaçam conquistas de saúde e podem agravar a epidemia. Em 2016, cerca de 18,2 milhões de pessoas receberam terapia antirretroviral. Para preservar a marca histórica e expandir tratamento, mais recursos são necessários, afirmou a agência da ONU.

Medicamentos e métodos contraceptivos são distribuídos em posto de saúde na Tailândia para prevenir transmissão de HIV e tuberculose. Foto: Banco Mundial / Trinn Suwannapha
A falta de recursos para a resposta ao HIV/AIDS ameaça conquistas de saúde dos últimos anos e pode agravar a epidemia no futuro. O alerta é do diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, que participou em Genebra de um encontro de dirigentes da agência da ONU. O objetivo da reunião era revisar estratégias de enfrentamento à doença.
Celebrando o alcance inédito da terapia antirretroviral no mundo em 2016 — no ano, cerca de 18,2 milhões receberam o tratamento —, Sidibé enfatizou que são necessários mais recursos para sustentar a manutenção e a expansão da oferta de tratamento.
“É essencial que os países continuem a ter acesso a recursos de longo prazo, previsíveis e sustentáveis”, disse o chefe do UNAIDS durante a abertura da 39ª reunião da Junta de Coordenação de Programa, que aconteceu dos dias 6 a 8 de dezembro. “Se isso não acontecer, eles não serão capazes de sustentar e acelerar suas respostas ao HIV e poderemos ver um retorno da epidemia de AIDS nos próximos anos”, acrescentou.
Em junho desse ano, a Junta já havia alertado a comunidade internacional para um déficit orçamentário anual de 30%, que punha em risco as iniciativas do UNAIDS e parceiros para 2016.
Sidibé elogiou o compromisso recente da comunidade internacional em repor as verbas do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, que recebeu quase 13 bilhões de dólares em donativos para financiar atividades pelos próximos três anos.
No entanto, destacou o dirigente, em outras frentes, reduções significativas e inéditas no financiamento configuram uma crise que afeta severamente a capacidade de implementação dos projetos do UNAIDS para o período 2016-2021.
Outros temas discutidos pela 39ª reunião da Junta incluíram o risco de adquirir HIV com idade igual ou superior a 50 anos e o impacto do envelhecimento com HIV. Vulnerabilidades de grupos específicos, como profissionais do sexo, pessoas trans, homossexuais, homens que fazem sexo com homens e pessoas privadas de liberdade e pessoas que injetam drogas, também entraram na pauta do organismo.
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