“Estou indo embora por causa dos meus filhos, pelo futuro deles. Espero que eles possam receber uma boa educação e ter uma vida melhor do que a que eu vivi”, conta Firas al Ahmad, um refugiado sírio que tem três filhos. Ele e a família serão reassentados da Jordânia para Dallas, no Texas, onde poderão recomeçar a vida.
Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), menos de 1% dos refugiados de todo o mundo conseguem ser realocados por programas de reassentamento de países desenvolvidos.

O refugiado sírio Firas al Ahmad olha pela janela da casa de seu pai em Irbid, na Jordânia, um dia antes de partir com a família para os Estados Unidos. Foto: ACNUR/Houssam Hariri
Enquanto embalava os pertences de sua família em quatro grandes malas, horas antes de partir para uma nova vida em Dallas, no Texas, o refugiado sírio Firas al Ahmad confessa que está com o coração dividido.
“Estou indo embora por causa dos meus filhos, pelo futuro deles. Espero que eles possam receber uma boa educação e ter uma vida melhor do que a que eu vivi”, disse Firas, de 30 anos. “A parte mais difícil é que estou deixando minha família para trás, especialmente meu pai.”
Junto com a esposa Samira e os três filhos, o antigo mecânico de carros, que morava na zona rural de Homs, conseguiu fugir para a Jordânia, onde ficou hospedado na casa do pai, na cidade de Irbid.
Enquanto contavam as horas para a viagem aos Estados Unidos, Firas e o pai, Hammoud, compartilhavam as últimas xícaras de chá. As cabeças miravam o chão para esconder as lágrimas.
O conflito na Síria está chegando ao seu sexto trágico aniversário em março. Firas e sua família estão entre uma pequena minoria — dos 4,9 milhões de sírios que vivem atualmente como refugiados em países vizinhos à nação em guerra — selecionada anualmente para reassentamento.
Nós partimos
porque nossos filhos
poderiam ter sido mortos
a qualquer momento.
Programas de reassentamento nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos são concebidos para acolher os refugiados mais vulneráveis, incluindo crianças em risco, sobreviventes de tortura e os que possuem necessidades médicas específicas. No ano passado, governos ofereceram 140 mil vagas de reassentamento para refugiados de todo o mundo. No total, menos de 1% deles conseguem ser realocados.
Firas e os parentes foram para a Jordânia ao final de 2013 com o pai, irmãos e tia. À medida que os combates se intensificavam em Homs, as oportunidades de trabalho foram se esgotando e tornou-se impossível para eles comprarem até os itens mais básicos. “Nós partimos porque nossos filhos poderiam ter sido mortos a qualquer momento”, explica Samira.
Os últimos três anos como refugiados na Jordânia foram difíceis para a família, diante da falta de postos de emprego legais. Cada dia era uma luta pela sobrevivência. Firas não hesitou quando a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) entrou em contato com ele no início de 2016 para falar sobre o reassentamento nos Estados Unidos.

Firas e sua família caminham uma última vez pelas ruas de Irbid, na Jordânia, antes de partirem para uma nova vida em solo norte-americano. Foto: ACNUR/Houssam Hariri
O ano foi marcado por um rigoroso processo de seleção, com entrevistas de seleção do ACNUR, verificações médicas e triagens de segurança por agências federais dos EUA, incluindo o FBI e o Departamento de Segurança Interna.
Com a aprovação para irem para a América eles começaram a vender os móveis e a desocupar o apartamento, que ficava a cerca de 200 quilômetros de Amã, capital da Jordânia.
Para aqueles nos Estados Unidos e em outros lugares do mundo que temem que os refugiados representem uma ameaça à segurança nacional, Firas ressalta que ele e outros refugiados são pessoas tentando escapar do perigo.
Ele espera poder usar suas habilidades e encontrar trabalho como mecânico assim que se estabelecer em Dallas. Não fossem o conflito que os expulsou de suas casas e as dificuldades do exílio na Jordânia, Firas conta que nunca teria considerado se mudar para os Estados Unidos e começar tudo de novo.
“A Síria é tudo, é tudo para mim. No instante em que a guerra acabar, eu vou voltar. Mesmo agora, eu gostaria que o conflito acabasse hoje, antes de partirmos, para que pudéssemos ir para casa.”
A família já está nos Estados Unidos.