“Estar aqui agora é como uma libertação de uma prisão escura para a luz”, conta Mahmoud Ahmad, pai de seis filhos que viveu mais de dois anos sob o terror de extremistas em Mossul. Ele chegou na semana passada a um acampamento para deslocados internos, onde recebe assistência da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do governo iraquiano, que luta para reconquistar a cidade.

Mahmoud Ahmed e sua família chegam de caminhão no campo Khazer M1, no norte do Iraque. Foto: ACNUR / Caroline Gluck
Pai de seis filhos, o iraquiano Mahmoud Ahmad, de 35 anos, estampava um enorme sorriso no rosto ao sair do caminhão que o levou para longe de Mossul, onde viveu por mais de dois anos sob o jugo de extremistas.
Ele e sua família — entre eles, a filha mais nova de apenas dois meses — estavam entre as 2.040 pessoas que chegaram na semana passada (7) ao campo Khazer M1 para deslocados, local próximo à aldeia de Hasansham. A área fica a cerca de 30 quilômetros da cidade que foi tomada pelo Grupo Estado Islâmico e que atualmente é palco de batalhas entre governo e radicais.
“É muito bom, estamos seguros agora. Estou muito feliz”, afirmou Mahmoud. “Agora, uma das primeiras coisas que vou fazer é me barbear”, acrescentou rindo, referindo-se a algumas das rígidas restrições que os terroristas impuseram aos civis nas áreas que controlavam.
Os homens foram instruídos a deixar a barba crescer, parar de fumar e usar calças mais curtas. As mulheres foram ordenadas a se cobrir totalmente e temiam sair em público.
Mahmoud costumava ganhar a vida como eletricista e vendia antenas parabólicas no mercado local. Mas quando os aparelhos de transmissão foram proibidos pelos radicais há sete meses, ele ficou sem trabalho e teve que recorrer às suas economias e vender as jóias de sua esposa para sustentar a família.
Estar aqui agora é como
uma libertação de
uma prisão escura para a luz.
Na última semana, o número de pessoas deslocadas dentro e ao redor da cidade de Mossul mais que dobrou — o que elevou o total de iraquianos que fugiram da violência na cidade para 47 mil, desde o início das operações militares em 17 de outubro.

Um garoto solta bolhas de sabão em um acampamento para deslocados internos perto de Hasansham, a 30 quilômetros de Mossul. Foto: ACNUR / Caroline Gluck
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está construindo 11 campos para receber os deslocados. Atualmente, cinco deles estão acolhendo recém-chegados. O acampamento de Hasansham atingiu sua lotação máxima em apenas quatro dias. O local abriga 1.855 famílias e mais de 10 mil pessoas.
Uma parte do acampamento ainda está sendo erguida — o que disponibilizará 240 tendas para os iraquianos. Na segunda-feira (7), 135 famílias tiveram que passar a noite no centro de recepção por falta de abrigos.
“Já não temos explosões e bombardeios ao nosso redor. Nossa casa foi totalmente destruída e nós ficamos com vizinhos até que pudéssemos sair”, conta Sadika Abdullah Aziz, mãe de dois filhos do bairro de Samah, em Mossul. Ela está hospedando seis famílias em sua tenda, que agora abriga cerca de 20 pessoas, a maioria crianças.
Khairo Murat Mirza, pai de nove filhos, dormiu do lado de fora na primeira noite, enquanto as mulheres de sua família dormiram em um edifício lotado no centro de triagem. Mesmo assim, ele não estava reclamando.
“Antes, as coisas eram confusas e assustadoras. Nós não nos sentíamos seguros. Agora, mesmo precisando de ajuda, estando muitos cansados, com fome e sem tenda, nos sentimos seguros. Nós somos livres. Sentimo-nos libertados e esperamos um futuro melhor.”
O campo de Khazer M1 é dirigido pelo governo e fica a poucos minutos de onde o ACNUR está fornecendo itens de ajuda de emergência, incluindo colchões e cobertores.
“Não durmo há cinco dias. A noite passada foi a primeira noite em que dormi direito”, lembra Mahmoud. “As crianças estão rindo e brincando de novo lá fora. Elas estão muito felizes. Elas não podiam brincar do lado de fora em Intisar… nós sentíamos muito medo por elas. Estar aqui agora é como uma libertação de uma prisão escura para a luz”, acrescentou.
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