FAO: 60 universidades da América Latina e Caribe manifestam preocupação com aumento regional da fome

As 60 universidades que compõem o Observatório do Direito à Alimentação da América Latina e Caribe (ODA-ALC) manifestaram preocupação na quinta-feira (6) com o aumento da fome e da má nutrição na região.

Segundo a FAO, em 2017, a subnutrição cresceu pelo terceiro ano consecutivo — 39,3 milhões de pessoas passam fome em países latino-americanos e caribenhos, o que representa 400 mil a mais do que em 2016.

Fome na América Latina e Caribe preocupa universidades da região. Foto: PMA/Alejandra León
Fome na América Latina e Caribe preocupa universidades da região. Foto: PMA/Alejandra León

As 60 universidades que compõem o Observatório do Direito à Alimentação da América Latina e Caribe (ODA-ALC) manifestaram preocupação na quinta-feira (6) com o aumento da fome e da má nutrição na região. Segundo a FAO, em 2017, a subnutrição cresceu pelo terceiro ano consecutivo — 39,3 milhões de pessoas passam fome em países latino-americanos e caribenhos, o que representa 400 mil a mais do que em 2016.

A Universidade Brasília (UnB) é uma das instituições que fazem parte do Observatório.

“Temos a convicção de que o trabalho das universidades é fundamental para melhorar as condições de vida dos setores mais vulneráveis”, defendeu a docente de Universidade de Nariño e integrante da Secretaria Técnica do Observatório, Isabel Goyes, durante encontro do organismo nesta semana, em Cartagena das Índias, na Colômbia.

“Não podemos permanecer indiferentes na academia. Nosso compromisso, como universidades do ODA-ALC, será dar um sentido de urgência ao trabalho pela Fome Zero, apoiando, junto com a FAO, os países, com evidências científicas para a elaboração, aplicação e monitoramento de políticas públicas”, acrescentou a especialista.

Realizado no Centro de Formação da Cooperação Espanhola, o evento na Colômbia marcou o oitavo encontro do Observatório. Durante a conferência, cientistas apresentaram pesquisas nacionais sobre perdas e desperdício de alimentos, além de análises sobre a rotulagem de produtos e alimentação escolar. Outro tema debatido foi o direito à alimentação entre as mulheres privadas de liberdade.

A aliança de instituições acadêmicas é uma entidade de atuação regional, que elabora propostas concretas para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) nº 2 — erradicar a fome até 2030, melhorar nutrição das pessoas e promover a agricultura responsável.

Convidado a participar do encontro, o coordenador-geral das Frentes Parlamentares contra a Fome, Jairo Flores, destacou que é preciso uma maior articulação entre a academia e os órgãos legislativos. “De nada serve a informação se (ela) chega apenas ao papel”, afirmou.

“Estamos convencidos da necessidade de mudança do sistema agroalimentar, tendo a agroecologia como princípio político, e para caminhar rumo a isto, a academia e os parlamentos são chave”, acrescentou o secretário-geral do Parlamento Latino-americano e Caribenho (PARLATINO), Pablo González.

Em sua declaração final, as instituições do Observatório reafirmaram o compromisso de colaborar ativamente com os parlamentos regionais, nacionais e estaduais da América Latina e Caribe.

Aliança além do Atlântico

Também em Cartagena, os professores universitários propuseram uma aliança ibero-americana de Observatórios do Direito à Alimentação.

Em 2017, com base na experiência da coligação latino-americana e caribenha, criou-se o primeiro organismo do tipo na Espanha, que atualmente monitora atividades do setor privado e da sociedade civil relativas a segurança alimentar e nutricional.

Durante a reunião na Colômbia, os participantes reconheceram o trabalho da Cooperação Espanhola e do Programa Mesoamérica sem Fome, da Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

Na avaliação de Isabel Goyes, as duas agências desempenharam um papel fundamental para o intercâmbio e espaços de reflexão sobre o direito à alimentação na América Latina e Caribe.