Confrontos no país provocam escassez de combustível e restrições à compra de produtos importados. Apenas 4% do território do Iêmen é cultivável e mais de 90% dos alimentos básicos vêm do exterior.

No Iêmen, o nível anual de água disponível por pessoa está abaixo dos 5% da média global. Foto: PMA / Ammar Bamatraf
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alertou, nesta quinta-feira (28), que cerca de 14,4 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar no Iêmen. O número representa um aumento de 12% em apenas oito meses. Provocadas pelos conflitos na nação, as restrições à compra de produtos importados e a escassez de combustível têm deteriorado a situação do país, onde mais de 90% dos alimentos básicos vêm do exterior. A agência da ONU solicitou 25 milhões de dólares de doares para auxiliar a população na produção de alimentos.
Segundo a FAO, apenas 4% do território iemenita é cultivável e somente uma parte dessa porção de terra está sendo, de fato, utilizada para produzir comida. As lavouras, a pecuária e a pesca empregam 50% da força de trabalho iemenita e constitui a principal fonte de subsistência para dois terços da população. No entanto, devido aos confrontos no país, a disponibilidade de insumos, como sementes e fertilizantes, de bens alimentícios e de combustível foi afetada, causando perdas dramáticas para a agricultura. Além disso, dois ciclones atingiram o país em novembro de 2015.
A FAO notou que, atualmente, 2,3 milhões de pessoas estão internamente deslocadas. Esse contingente aumentou mais de 400% desde janeiro de 2015, sobrecarregando comunidades anfitriãs que já dispunham de recursos alimentares limitados.
A falta de produtos fez a inflação disparar. “Sob essas condições críticas, é mais importante do que nunca ajudar famílias a produzirem sua própria comida e a reduzirem sua dependência da importação de alimentos cada vez mais escassos e caros”, afirmou o líder da Equipe de Reposta de Emergência da FAO, Etienne Peterschmitt. Para atender às necessidades imediatas da população, a agência da ONU tem trabalhado com grupos de mulheres locais, apoiando o cultivo no quintal, distribuindo sementes, ferramentas e galinhas para melhorar a nutrição familiar e criar fontes de renda extra, obtida com a venda de produtos no mercado.
No caso de fazendeiros que atuam em lotes de terra maiores, a FAO deve fornecer bombas de irrigação movidas a energia solar, o que permitirá dar prosseguimento à produção mesmo com a falta de diesel, utilizado nos equipamentos. O Iêmen está entre os países com a maior escassez de água no mundo. A quantidade anual de água disponível por pessoa é menor do que 5% da média global.