De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em algumas áreas do nordeste da Nigéria, 385 mil pessoas estão em necessidade urgente de plantio e de apoio à subsistência. A agência da ONU estima que mais de 3 milhões de pessoas sejam afetadas pela insegurança alimentar aguda nos estados de Borno, Yobe e Adamawa.

Agricultor deslocado prepara terra antes do plantio em Kukarata, nordeste da Nigéria. Foto: FAO/Sonia Nguyen
À medida que a assistência humanitária consegue alcançar cada vez mais áreas anteriormente controladas pelo grupo armado Boko Haram na Nigéria, uma oportunidade fundamental surge para combater os níveis alarmantes de insegurança alimentar no nordeste do país, advertiu a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no início de agosto (8).
De acordo com a FAO, em algumas áreas do nordeste da Nigéria 385 mil pessoas estão em necessidade urgente de plantio e apoio à subsistência. A agência da ONU estima ainda que mais de 3 milhões de pessoas sejam afetadas pela insegurança alimentar aguda nos estados de Borno, Yobe e Adamawa.
“Essas populações precisam de assistência urgente para recuperar seus meios de subsistência, que são em sua maioria baseados em técnicas de cultivo, pesca artesanal, aquicultura e pecuária’’, disse o subdiretor-geral da FAO e representante regional na África, Bukar Tijani, em um comunicado à imprensa, ressaltando que nos últimos quatro anos a situação foi agravada por conta dos plantios perdidos devido aos combates na região.
Tijani acrescentou que a retomada das atividades agrícolas nessas áreas é imprescindível para garantir que deslocados e comunidades que receberam essas pessoas consigam produzir alimentos suficientes para o consumo.
Além disso, segundo o subdiretor-geral da FAO, o grande fluxo de pessoas que fogem das ameaças do grupo Boko Haram colocou uma enorme pressão sobre as comunidades hospedeiras já pobres e vulneráveis, assim como sobre seus frágeis meios de subsistência agrícolas e pastoris, piorando a situação da segurança alimentar.
“A falha em reconstruir a economia rural se traduz em falta de oportunidades de emprego, com possíveis consequências prejudiciais, incluindo a radicalização da juventude e a associação a grupos armados”, alertou a agência agrícola da ONU.
“Recomeçar a produção de alimentos nas áreas que agora são acessíveis encorajará as populações deslocadas a regressar às suas casas, e vai contribuir para a saúde das pessoas”, completou.
Em resposta à crise em curso na região, a FAO iniciou uma intervenção e pede urgentemente 10 milhões de dólares para fornecer sementes, fertilizantes e equipamentos de irrigação para a próxima estação de seca.
“Até o momento, a FAO atingiu mais de 123 mil pessoas, diminuiu a insegurança alimentar ao permitir que elas cultivassem seu próprio alimento durante a estação de seca em curso”, disse o gerente de resposta emergencial da FAO na Nigéria, Tim Vaessen.
No entanto, as atividades da agência no país continuam limitadas. Até o momento, a FAO recebeu apenas 4,9 milhões de dólares, sendo que 20% são originários do seu próprio Fundo Especial de Atividades de Emergência e Reabilitação.