FAO alerta que 3,7 milhões de pessoas sofrem com insegurança alimentar grave no Sudão do Sul

No ano anterior, um milhão de pessoas estavam nessa condição. “A renovação da violência no Sudão do Sul teve grandes repercussões sobre a produção agrícola, e a estabilidade precisa ser restaurada para permitir que os agricultores regressem aos seus campos”, disse o representante da FAO no país. O total de pessoas passando fome representa 31% da população.

Mulher deslocada internamente no Sudão do Sul busca refúgio da violência que atinge o país. Foto: ONU

Mulher deslocada internamente no Sudão do Sul busca refúgio da violência que atinge o país. Foto: ONU

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou na segunda-feira (7) que 31% da população do Sudão do Sul – ou 3,7 milhões de pessoas – está enfrentando insegurança alimentar grave, apesar do fim da época de escassez de alimentos e o início do período de colheita. No ano passado, um milhão de pessoas estavam nessa condição.

Segundo a agência da ONU, nessa época do ano no país, as pessoas geralmente estão em melhor segurança alimentar devido aos maiores estoques de alimentos e aos preços mais baixos nos mercados. Todavia, o risco de fome é iminente, especialmente para as comunidades mais vulneráveis.

“A renovação da violência no Sudão do Sul teve grandes repercussões sobre a produção agrícola, e a estabilidade precisa ser restaurada para permitir que os agricultores regressem aos seus campos”, disse o representante interino da FAO no país, Serge Tissot.

“Estamos vendo um número sem precedentes de pessoas com insegurança alimentar em tempo de colheita, e muitas pessoas enfrentarão o risco de fome nos próximos meses com o esgotamento dos estoques. Precisamos agir agora para evitar uma catástrofe”, acrescentou Tissot.

Parte da razão para a crescente insegurança alimentar é devido à violência que afetou a região Equatoria, responsável por mais da metade da produção de cereais do Sudão do Sul.

A FAO observou que cerca de 50% de todas as colheitas foram perdidas em áreas afetadas pela violência. Além disso, muitos agricultores não estão conseguindo plantar sementes para a segunda temporada devido aos conflitos armados e ao deslocamento de pessoas.

Bahr al-Ghazal é uma das áreas mais frágeis do país. A região tem enfrentado uma longa crise econômica e o esgotamento de bens de subsistência. De acordo com a FAO, os agricultores da região produziram menos do que no ano passado; algumas áreas foram duramente atingidas por inundações e estiagens, e, em Aweil Oriental, a produção de sorgo (milho-zaburro) foi reduzida em quase 50%.

Desde o início dos combates na capital Juba e no resto do país, os preços dos cereais aumentaram mais de 500% em apenas um ano. A insegurança ao longo das estradas principais também prejudicou os comércios e forçou muitos comerciantes a encerrar seus negócios.

Para amenizar a situação na estação de seca, a agência da ONU pretende distribuir vegetais e kits de pesca e oferecer treinamentos em técnicas agrícolas modernas a 1,2 milhão de pessoas, entre outras atividades.

Segundo a FAO, será necessário um adicional de 28 milhões de dólares até o final de 2016 para responder às necessidades da população.