FAO alerta sobre insegurança alimentar na Síria

O PMA estima que em 2010 cerca de 1,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar estavam nas zonas mais afetadas pelos conflitos.

(FAO)A FAO emitiu nessa quarta-feira (14/02) um alerta especial sobre a situação da segurança alimentar na Síria, no qual expressa grande preocupação, especialmente em relação aos grupos vulneráveis, devido ao constante estado de turbulência pelo qual passa o país desde março de 2011. De acordo com o Escritório Central de Estatísticas da Síria, a inflação aumentou entre junho e dezembro de 2011 em cerca de 15%, impulsionada principalmente pelos aumentos acentuados nos preços dos alimentos e a escassez de combustível, que causam impacto nos custos de transporte.

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) estima que em 2010 cerca de 1,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar estavam nas zonas mais afetadas pelos conflitos, como Homs, Hama, Damasco, Daraa e Idleb. A preocupação é que agora estejam ainda mais vulneráveis. Dezenas de milhares de pessoas fugiram para países vizinhos, afirma o alerta especial publicado no site do Sistema de Informação Global e de Aviso Precoce (GIEWS) da FAO sobre alimentação e agricultura. O sistema GIEWS monitora a situação alimentar mundial e emite alertas sobre crises alimentares iminentes.

A FAO e o PMA estão organizando uma operação de emergência para prestar ajuda alimentar a 100 mil pessoas no país. Alimentos, água e combustível são cada vez mais difíceis de serem obtidos em diversas áreas. A situação também afeta os pastores, com mobilidade reduzida para os seus rebanhos e acesso limitado a medicamentos veterinários e outras provisões.

Cerca de 300 mil pequenos agricultores e pastores de províncias do nordeste, que já sofreram com quatro temporadas consecutivas de seca, também são afetados pela perda de oportunidades de trabalho sazonal de migração dentro do país. Estima-se que a produção de cereais na Síria tenha caído quase 10% no ano passado, após chuvas tardias e irregulares. As perspectivas para a produção das culturas deste último inverno, cuja colheita se inicia em maio, são incertas devido às possíveis interrupções das atividades agrícolas e ao acesso limitado a insumos que resultam da instabilidade social.