FAO: América Latina e Caribe devem ficar alertas para risco de recessão mundial e insegurança alimentar

Segundo o boletim trimestral de segurança alimentar da FAO, menos postos de trabalho e geração de renda estão afetando o acesso da população aos alimentos.

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)

A incerteza marca o cenário econômico mundial e coloca os governos da América Latina e Caribe em estado de alerta sobre a ameaça que uma recessão poderia representar para a segurança alimentar, informa o Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Segundo o  boletim trimestral de segurança alimentar da FAO menos postos de trabalho e geração de renda estão afetando o acesso da população aos alimentos. As projeções de crescimento da economia mundial foram revistas para baixo em 2012. O crescimento mais lento da economia global implicará em uma redução do ritmo do comércio internacional, o que provavelmente terá efeitos sobre os preços dos produtos básicos.

Queda na produção regional de cereais

Na Argentina, devido à seca, a expectativa de queda na produção de cereais é de cerca de 12%. No Brasil também se observa uma redução significativa na safra de trigo: a queda na produção chegou a 16% entre 2011/12 e 2010/11, por causa de geadas e reduções das áreas plantadas.

Também há previsão de queda da produção de milho na América Central e no México, onde as geadas do ano passado causaram reduções de 9% nas colheitas. As recentes enchentes registradas em Honduras, na Nicarágua e em El Salvador também podem afetar a produção.

O estoque de cereais no ano passado registrou 10 milhões de toneladas a mais do que em 2010. A produção também aumentou: as estimativas da FAO apontam para um nível recorde de produção de 2,3 milhões de toneladas, 3,5% a mais do que 2010/11.

Governos defendem renda dos mais pobres

Segundo o boletim, os governos da América Latina e Caribe estão enfrentando corretamente a alta volatilidade dos preços dos alimentos. Muitos conseguiram ampliar seus programas de transferência de renda, os quais garantem o acesso aos alimentos de boa parte da população pobre da região. O bloco registra inflação relativamente baixa e estável, na casa dos 7%.