FAO e IFAH combatem mercado ilegal de medicamentos veterinários falsificados

Calcula-se que a doença Nagana seja responsável por perdas econômicas de até 4,5 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.

Membro de tribo Masai prepara-se para vacinar o gado na Tanzânia.A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Federação Internacional de Saúde Animal (IFAH) trabalham juntas para estabelecer as primeiras normas farmacêuticas para medicamentos usados no tratamento da tripanossomíase animal africana, normalmente conhecida como Nagana. A Nagana afeta bovinos, ovinos, caprinos, suínos, camelos, cavalos e burros – animais que são vitais para a renda e a segurança alimentar de milhões de pequenos agricultores na África e outras regiões.

Transmitida pela picada da mosca tsé-tsé e outros insetos sugadores de sangue, a Nagana é uma doença animal fatal, capaz de dizimar os rebanhos dos quais os pequenos agricultores africanos dependem para a sua subsistência. Calcula-se que ela seja responsável por perdas econômicas de até 4,5 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. O valor do mercado oficial de medicamentos veterinários na África chega a cerca de 400 milhões de dólares por ano. O comércio de medicamentos de qualidade inferior e não registados é estimado também em 400 milhões de dólares para além das vendas legítimas.

“O uso de medicamentos de qualidade inferior para tratar a Nagana permite a evolução das mais graves estirpes que resistem aos medicamentos, quando são utilizadas doses insuficientes”, afirmou o veterinário da FAO Juan Lubroth, que dirige o Serviço de Saúde Animal desta agência da ONU. “E isso pode representar uma ameaça para a saúde humana caso se acumulem resíduos químicos nocivos na carne ou nos produtos que entram na cadeia alimentar.”

Para resolver o problema, a FAO e a IFAH apresentaram um pedido à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para registar formalmente as primeiras normas farmacêuticas para a produção e uso adequado de dois medicamentos que matam os parasitas que causam a doença. Estas normas  vão definir os componentes aceitáveis para a produção dos medicamentos, as doses adequadas dos seus ingredientes ativos e os níveis permitidos de impurezas que podem conter.

Até abril de 2012, dois laboratórios na África Subsaariana serão selecionados para realizar testes de controle de qualidade e verificação dos dois medicamentos-padrão desenvolvidos pela FAO, IFAH e um grupo de organizações parceiras, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), a Aliança Global de Medicamentos Veterinários para Pecuária (GALVmed) e a Universidade de Strathclyde, no Reino Unido. O esforço também inclui a capacitação de pessoal de laboratório.