Desde 2000, produção global do alimento cresceu em 60% mas uso de insumos amplia o risco de danos aos recursos naturais.
Produção de fécula de mandioca em uma fábrica no Brasil. Foto: FAO
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou nesta terça-feira (28) uma guia para a plantação em pequena escala de mandioca — também conhecida como macaxeira ou aipim em outras regiões do Brasil. Segundo a FAO, o guia pode aumentar, de forma sustentável, a produção da mandioca em 400% e conseguir transformá-la de um cultivo consumido por pobres para uma cultura utilizada mundialmente no século XXI.
No guia, intitulado “Salvar e Crescer: Mandioca“, a FAO explica que produção global do alimento aumentou em 60% desde 2000 e vai acelerar ainda mais na década atual, se as autoridades reconhecerem o seu enorme potencial.
No entanto, optar por uma abordagem de produção intensiva para aumentar a produção de mandioca, como a que foi explorada durante a “revolução verde” do século passado, pode causar ainda mais danos à base de recursos naturais e aumentar as emissões de gases com efeito de estufa responsáveis pelas alterações climáticas.
A solução, de acordo com a FAO, está no enfoque “salvar para crescer”, com o objetivo de obter um melhor desempenho, melhorando a saúde da terra, em vez de fazer um uso intensivo de insumos químicos. Com isso, a FAO espera diminuir a pertubação do solo causada pela lavoura convencional, como o arado, e recomenda a manutenção de uma capa protetora de vegetação no solo.
Ao invés da monocultura normalmente associada a sistemas de agricultura intensiva, o modelo encoraja o cultivo misto e a rotação de culturas. Além disso, apoia o manejo integrado de pragas, que usa material de plantio livre de doenças e o uso de inimigos naturais para controlar os insetos nocivos, ao invés do uso de pesticidas químicos.
De acordo com a FAO, as novas práticas impulsionaram o rendimento de mandioca em diferentes países, como Colômbia, República Democrática do Congo e Vietnã — onde os agricultores que usavam tecnologias e práticas melhoradas aumentaram a produção de mandioca de 8,5 toneladas para 36 toneladas, um aumento de mais de 400%.
A agência da ONU também ressaltou a mandioca como uma cultura versátil, utilizada por pequenos agricultores em mais de 100 países. Suas raízes são ricas em hidratos de carbono, enquanto as folhas tenras contêm até 25% de proteína, ferro, cálcio e vitaminas A e C.
O alimento também possui uma série de utilidades industriais para aumentar o desenvolvimento das indústrias e a renda rural, já que é superado apenas pelo milho como fonte de amido e algumas de suas variedades recém-desenvolvidas contêm um amido muito solicitado por fabricantes.
Informações em português (além de espanhol, francês e inglês) estão disponíveis em www.fao.org/ag/save-and-grow/cassava/pt/