Livro lançado esta semana assinala que, enquanto mais de 900 milhões de pessoas no mundo sofrem de fome, cerca de 1,5 bilhão estão com sobrepeso ou obesas.

Os países deveriam tomar medidas imediatas para promover dietas sustentáveis e sua biodiversidade alimentar, como forma de melhorar a saúde de seus cidadãos. A avaliação é de uma agência da ONU que trata do tema e foi publicada esta semana em um livro lançado em conjunto com a organização não governamental Bioversity International. “Apesar dos muitos sucessos da agricultura nas últimas três décadas, é evidente que os sistemas alimentares e dietas não são sustentáveis”, disse a responsável pela Divisão de Proteção ao Consumidor e Nutrição da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Barbara Burlingame, no prefácio do livro Dietas Sustentáveis e Biodiversidade.
“Enquanto mais de 900 milhões de pessoas no mundo sofrem de fome, muitas outras – cerca de 1,5 bilhão – estão com sobrepeso ou obesas. Estima-se que dois bilhões sofrem de má nutrição de micronutrientes, incluindo a vitamina A, ferro ou deficiência de iodo”, acrescentou Burlingame, destacando a ligação entre a má alimentação e doenças não transmissíveis, como diabetes e doenças cardiovasculares.
O livro assinala que a entrada da agricultura industrial e do transporte de longa distância fizeram carboidratos refinados e gorduras acessíveis e disponíveis em todo o mundo, levando a uma simplificação geral de dietas e dependência de um número limitado de alimentos ricos em energia. No entanto, esses alimentos não têm a qualidade de nutrientes e têm carbono pesado.
Segundo a FAO, apenas três culturas – milho, trigo e arroz – atualmente fornecem 60% da energia da dieta a partir de plantas em nível global. Além disso, como o rendimento das pessoas no desenvolvimento de países aumenta, elas estão mais propensas a abandonar tradicionais alimentos de origem vegetal em favor de dietas ricas em carne, laticínios, gorduras e açúcar. “Nossos sistemas alimentares precisam passar por transformações radicais para uma utilização mais eficiente dos recursos e maior eficiência e equidade no consumo de alimentos”, disse Burlingame.
Essa mudança de dieta e a excessiva dependência de determinadas culturas têm tido um papel significativo na diminuição da diversidade genética vegetal e animal, argumento a obra, observando que, de 47.677 espécies avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza, 17.291 estão ameaçadas de extinção.