FAO propõe reformulação do sistema de alimentação com uso de agroecologia e agricultura inteligente

Graziano da Silva lembrou que a produção de alimentos precisa crescer em 60% até 2050 para alimentar uma população de 9 bilhões de pessoas.

Agricultores limpam manualmente a plantação de alface para garantir uma colheita orgânica. Foto: Orgânicos do PIVAS/Flickr (Creative Commons)

Agricultores limpam manualmente a plantação de alface para garantir uma colheita orgânica. Foto: Orgânicos do PIVAS/Flickr (Creative Commons)

Políticos devem apoiar um enfoque mais amplo para reformular os sistemas de alimentação mundial. Essa nova abordagem deve promover formas mais saudáveis e sustentáveis e que reconheçam, ao mesmo tempo, que não é possível apoiar-se em um só modelo de agricultura intensiva para aumentar a produção, disse o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, na abertura da 24ª Sessão do Comitê sobre Agricultura (COAG) na semana passada.

Pedindo uma “mudança de paradigma”, Graziano da Silva afirmou que os principais desafios atuais concentram-se na diminuição de insumos à agricultura –especialmente o uso excessivo de água e químicos — a fim de colocar a agricultura, as florestas e a pesca em um caminho de longo prazo mais sustentável.

Opções como a agroecologia e a agricultura climaticamente inteligente devem ser exploradas, assim como a biotecnologia e o uso de organismos geneticamente modificados, disse o diretor-geral da FAO, observando que a produção de alimentos precisa crescer em 60% até 2050 para alcançar a demanda da população estimada de 9 bilhões de pessoas.

“Precisamos explorar essas alternativas usando um enfoque inclusivo baseado na ciência e evidência e não em ideologias”, disse, enfatizando a necessidade de respeitar as características e contexto aplicados em cada local.

No Ano Internacional da Agricultura Familiar, Graziano da Silva também solicitou ao COAG que inclua esse tema como ponto transversal de sua agenda. Nesta sessão do Comitê, que se reúne a cada dois anos, foram abordados temas de governança hídrica, doenças entre animais, gestão do solo e segurança alimentar.