FAO: Sudoeste asiático e norte da África precisam mudar forma de combate à seca

Um relatório sobre as características e a gestão da seca, lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sugere que países do Sudoeste Asiático e Norte da África, onde a escassez crônica de água será ainda pior, devem tomar medidas para enfrentar a seca e criar mais resistência ao calor.

Embora seja um fenômeno familiar na região, as secas se disseminaram e se tornaram mais prolongadas e frequentes nas últimas quatro décadas – uma causa provável da mudança global do clima.

Um pastor e seu rebanho em uma zona rural de Marrocos, um dos países na linha de frente do combate aos impactos da mudança climática. Foto: Banco Mundial/Scott Wallace

Um pastor e seu rebanho em uma zona rural de Marrocos, um dos países na linha de frente do combate aos impactos da mudança climática. Foto: Banco Mundial/Scott Wallace

Um relatório sobre as características e a gestão da seca, lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sugere que países do Sudoeste Asiático e Norte da África, onde a escassez crônica de água será ainda pior, devem tomar medidas para enfrentar a seca e criar mais resistência ao calor.

Embora seja um fenômeno familiar na região, as secas se disseminaram e se tornaram mais prolongadas e frequentes nas últimas quatro décadas – uma causa provável da mudança global do clima.

E, ainda que a região não seja altamente propensa à seca, o deserto representa três quartos do seu território, que se estende do Marrocos ao Iraque.

O documento da FAO alerta que as capacidades técnicas, administrativas e financeiras do Sudoeste Asiático e do Norte da África para lidar com a seca são inadequadas, tornando agricultores e pastores – os primeiros e mais atingidos pelos períodos de seca – mais vulneráveis.

Segundo a agência da ONU, agricultores e pastores têm enfrentado desafios cada vez maiores à medida que a água se torna mais escassa, as terras mais degradadas e erodidas, e os solos mais frágeis.

“Ainda há muito foco em se recuperar da seca, ao invés de ações focadas em como ser menos suscetível a ela”, pontuou a FAO.

“Precisamos perceber e administrar as secas de maneira diferente e passar da resposta emergencial para uma política mais pró-ativa e planejamento de longo prazo para reduzir riscos e construir uma maior resiliência”, disse o diretor-geral adjunto da FAO, Rene Castro.

Lançado antes do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, marcado anualmente em 17 de junho, o relatório avalia as lacunas na gestão atual da seca e fornece uma base sólida para ajudar os governos a repensar políticas e reformular planos de prontidão e resposta, oferecendo soluções que levem em conta as especificidades e o contexto de cada país.

Soluções para a seca

Juntamente com o desenvolvimento e a implementação de políticas nacionais de gestão de seca consistentes com os objetivos de desenvolvimento do país, o relatório também recomenda o estabelecimento de sistemas de aviso prévio, compartilhamento de tecnologias para combater a seca e apoio a políticas e incentivos para usar racionalmente os recursos da terra e da água.

Cultivar culturas tolerantes à seca, de rápido amadurecimento e de bacias hidrográficas e incentivar métodos avançados de irrigação – incluindo a irrigação por gotejamento e aspersão – são algumas das medidas que devem ser adotadas em maior escala para combater a mudança climática, acrescenta o documento, que é de coautoria do Instituto Global Water for Food Daugherty, da Universidade de Nebraska.

O estudo também observa que as práticas tradicionais de pastoreio de gado – como conservar baixas as taxas de lotação e manter rebanhos em movimento quando há pouca forragem – podem reduzir o risco de pastoreio excessivo e degradação da terra.

Acesse o documento clicando aqui.