A região metropolitana de São Paulo acolhe a maior parcela dos refugiados do Brasil. Dos 4.300 refugiados do país, aproximadamente 1.800 vivem na capital paulista.

Festa do imigrante em São Paulo. Foto ACNUR.
Em sua 18ª edição, a tradicional Festa do Imigrante de São Paulo, realizada pelo Museu da Imigração e que reúne manifestações culturais de diversos países, trouxe um ingrediente adicional: a ênfase à diversidade da imigração, demonstrando que os imigrantes que vivem na maior cidade brasileira vêm de novos países e por múltiplas causas.
A participação na festa de estrangeiros que buscam no Brasil refúgio contra perseguições e violações de direitos humanos ocorridas em seus países de origem é um exemplo da diversificação do evento deste ano, que aconteceu no mês passado.
Nascido em Angola e criado na República Democrática do Congo, o refugiado Maquesse Antônio é exemplo desta nova realidade de migração e integração cultural em São Paulo. Há mais de dez anos vivendo no Brasil,ele usa o nome artístico de Bantu Tabassisa para divulgar a música, dança e pintura da região onde nasceu e cresceu. “Não pude trazer nada de lá, por isso o que guardo de mais importante da minha terra é a cultura”. Segundo ele, seu nome artístico Bantu é uma homenagem à maior tribo da região africana onde viveu.
Na 18ª Festa do Imigrante, Bantu e sua família organizaram uma exposição de artesanato com esculturas de ébano, lengô e isaki, além de uma barraca de culinária. No cardápio, uma apetitosa combinação de ingredientes com influência congolesa e angolana, como makondo soso (banana da terra com frango), buengi, soso, loso (feijão, fraldinha com frango e arroz) e kwanga, soso, bueni (massa de mandioca com frango e feijão – tudo acompanhado por molho com cogumelos e semente de abóbora).
A região metropolitana de São Paulo acolhe a maior parcela dos refugiados reconhecidos pelo governo brasileiro. Dos cerca de 4.300 refugiados vivendo no Brasil, aproximadamente 1.800 são cadastrados e atendidos pela Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) – de acordo com dados referentes a maio de 2013. Essa população cresceu 10% em relação ao final do ano passado (e 15% em relação ao total registrado no final de 2011). O número de solicitantes de refúgio que chegam a São Paulo e são atendidos pela CASP também tem crescido, saindo de 661 casos em 2011 para cerca de 1.300 em 2012 (um aumento de quase 100%).