Governo e Nações Unidas lançaram apelo de 38 milhões de dólares para comunidade internacional, em meio a perdas consideradas “catastróficas”. Além de mais de 40 mortos, 40% da população foi afetada, ou 350 mil pessoas; destas, 54 mil pessoas permanecem abrigadas em 960 centros de evacuação.

Uma menina de sete anos na biblioteca destruída de uma escola do distrito de Nabau, em na província de Ra, em Fiji. Foto: UNICEF/Sokhin
O governo de Fiji e as Nações Unidas lançaram na última sexta-feira (4) um apelo de 38,6 milhões de dólares em ajuda de emergência para 350 mil pessoas, após a fúria do ciclone Winston ter deixado a nação insular com “uma perda de proporções catastróficas”.
“À luz do longo e enorme processo de recuperação e reabilitação que temos à frente, e em nome do povo de Fiji, estou convocando a assistência da comunidade internacional”, disse o primeiro-ministro do país localizado na Oceania, Josaia Voreqe Bainimarama.
Ele afirmou que os esforços de socorro estão em pleno andamento e Fiji está priorizando a restauração de serviços essenciais como educação, saúde, infraestrutura e agricultura.
Winston, ciclone tropical mais devastador registrado no Hemisfério Sul, atingiu a nação insular do Pacífico no último dia 20 de fevereiro, deixando mais de 40 mortos e afetando 350 mil pessoas – ou 40% da população total. Cerca de 54 mil pessoas permanecem abrigadas em 960 centros de evacuação.
Embora os dados completos sobre os danos ainda estejam sendo coletados, as estimativas iniciais indicam diferentes níveis de destruição, com até 100% dos edifícios destruídos em algumas das ilhas. Centenas de escolas foram danificadas ou destruídas, as instalações de saúde foram severamente danificadas e o setor agrícola enfrenta uma perda total de cerca de 56 milhões de dólares.
UNICEF: Cerca de 120 mil crianças atingidas
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou que 40% das crianças do país estão em risco e muitas não têm acesso a água potável, energia ou alojamento. Cerca de 120 mil jovens foram diretamente impactados pela tempestade.
Muitas famílias e indivíduos que perderam suas casas têm buscado abrigo em escolas, adaptadas para funcionarem como centros temporários de evacuação. Segundo o Ministério da Educação de Fiji, 240 instituições de ensino foram danificadas ou destruídas pela tempestade tropical.
Na véspera do alerta do UNICEF, 1.177 centros escolares foram reabertos, mas muitos ainda vão demorar a abrir suas portas para receber crianças. “O que piora a situação é que, em situações de emergência, uma escola é frequentemente o refúgio de uma criança – mas tantas escolas também foram derrubadas”, afirmou a representante da agência da ONU para o Pacífico, Karen Allen.

Filise (à esquerda), de dez anos, e Eremodo, de 12, frequentam a Escola Católica de Somolevu, na Ilha Vuaki. O centro de ensino foi um dos muitos que foram atingidos e danificados pelo ciclone Winston. Foto: UNICEF / Sokhin
“Encontramos crianças demais que perderam, literalmente, tudo – seus bens, seus lares, as safras de suas famílias e, possivelmente, sua renda, sua escola, sua clínica de saúde da comunidade (onde viviam)”, lamentou Allen, que destacou que as implicações imediatas e a longo prazo para a saúde, a segurança, a educação e o desenvolvimento dos jovens são colossais. “Esse é verdadeiramente um desastre de escala nacional para Fiji.”
O UNICEF tem trabalhado junto ao governo e a parceiros para levar não apenas educação para as crianças, garantindo o retorno escolar, mas também saneamento, água potável, cuidados médicos e proteção.
Na semana passada, o Fundo conseguiu fornecer 60 salas de aula temporárias para escolas afetadas pelo ciclone. Materiais escolares foram distribuídos para 2.115 alunos em 23 instituições de ensino. Água e produtos de higiene foram disponibilizados para 26 mil pessoas.
O UNICEF também garantiu o fornecimento de 30 mil doses de vacinas contra a febre tifoide e tétano, para evitar surtos dessas doenças. Equipes locais da agência da ONU estão auxiliando as autoridades de Fiji a realizar avaliações da situação e elaborar estratégias.