Estima-se que mesmo com acesso limitado aos cuidados médicos de emergência, a cada dia, 835 mulheres dão a luz. O tufão Haiyan matou milhares e afetou 13,2 milhões de pessoas.

Uma jovem sobrevivente do tufão. Permitiram que algumas pessoas embarcassem no avião da Força Aérea Filipina C-130 com destino a Cebu para escapar da devastação das cidades. Foto: ACNUR/R.Rocamora
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) afirmou nesta sexta-feira (22) que duas semanas após o tufão Haiyan ter devastado as Filipinas, mais de 3,2 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva ainda precisam de atendimento de urgência e proteção, por isso, a agência lançou um apelo de 30 milhões de dólares para fornecer serviços e assistência durante os próximos seis meses.
“Na pressa de prestar assistência, as mulheres e meninas ficaram invisíveis”, disse o diretor de Resposta Humanitária do UNFPA, Ugochi Daniels, em comunicado à imprensa. “Agora temos que assegurar que suas necessidades sejam atendidas de modo que cada mulher e cada menina afetada pelo tufão esteja protegida e viva com dignidade.”
Com a maior parte da infraestrutura de saúde destruída e com a instabilidade de segurança, a agência da ONU está trabalhando com as autoridades nacionais e parceiros para desenvolver um plano de 110 milhões de dólares, garantindo que nenhuma mulher morra dando à luz e que cada mulher e menina esteja protegida contra a violência em casa e na sua comunidade.
O UNFPA estima que 230 mil mulheres grávidas estão em áreas afetadas e que a cada dia, 835 mulheres dão a luz mesmo com o acesso muito limitado aos cuidados obstétricos de emergência.
De acordo com dados nacionais, cerca de 397 mil mulheres e meninas sofreram violência sexual nas áreas afetadas antes do desastre, o UNFPA acrescentou que “com o deslocamento e sem os serviços adequados para prevenir e lidar com a violência contra as mulheres, esse número pode aumentar em 65 mil”.
O governo aumentou na quinta-feira (21) o número de mortes causadas pelo tufão para mais de 5 mil, mas ainda tenta verificar o número total de mortos e desaparecidos em comunidades localizadas em ilhas remotas e áreas montanhosas. O tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas em 8 de novembro, matou milhares e afetou 13,2 milhões de pessoas.