Organização Pan-Americana da Saúde e parceiros pedem mais esforço da comunidade internacional para barrar a transmissão da doença. Só no Haiti foram registrados mais de 700 mil casos desde 2010.
Organização Pan-Americana da Saúde e parceiros pedem mais esforço da comunidade internacional para barrar a transmissão da doença. Só no Haiti foram registrados mais de 700 mil casos desde 2010.

A Coalizão Regional sobre Água e Saneamento destaca que o acesso a água potável e saneamento básico é um direito humano fundamental. Foto: OPAS
Três anos e meio depois de uma epidemia de cólera ter custado milhares de vidas no Haiti, o país realizou grandes avanços para impedir a propagação da doença.
Ainda assim, o controle e eventual erradicação da doença exigirão importantes melhorias na infraestrutura dos serviços de água e saneamento, segundo representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – representação regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) – e seu parceiros na Coalizão Regional sobre Água e Saneamento.
Para Jon Andrus, vice-diretor da OPAS, priorizar tais serviços foi “uma lição aprendida com a epidemia de cólera que se alastrou por todo o continente americano desde os anos 90”. Em discurso por ocasião do Dia Mundial da Água, no último dia 22 de março, Andrus afirmou também que “durante esse tempo, os países passaram a considerar o acesso à água potável como um direito humano básico”.
Já John Oldfield, diretor executivo da ‘WASH Advocates’, assegurou que, muito além de apenas cuidar dos pacientes, “queremos pôr um basta na transmissão da cólera no Haiti, República Dominicana e outros lugares, mas para chegarmos a isso precisamos de medidas importantes quanto à água, ao saneamento e à higiene”.
Cólera: uma velha inimiga ainda em expansão
Desde outubro de 2010, a cólera se estendeu por todas as áreas do Haiti, de sua vizinha República Dominicana e até além da Ilha de São Domingos, para Cuba e México. Apenas no Haiti, mais de 700 mil pessoas contraíram a doença, com mais de 8.500 óbitos (até março deste ano).
Embora a epidemia tenha desacelerado consideravelmente na nação, 385 novos casos de cólera são registrados por semana.
Mesmo antes do terremoto de janeiro de 2010, o Haiti registrava os menores níveis de cobertura de água e saneamento das Américas, com apenas 63% da população com acesso a água potável e 17% a serviços de saneamento – condições que facilitaram a rápida propagação da doença.
Foi neste contexto que, com apoio da OPAS/OMS e de vários outros parceiros, formou-se a Coalizão Regional sobre Água e Saneamento para Eliminar a Transmissão da Cólera na Ilha de São Domingos, com o objetivo de mobilizar maior auxílio internacional aos países da região.
Cooperação para combater o cólera
Em ação conjunta com a Coalizão, a OPAS/OMS deu apoio técnico e de capacitação a agentes sanitários, além de estabelecer um sistema de controle da qualidade da água em mais de 50 centros de saúde no Haiti, descontaminar a água em pontos de proliferação da doença e avaliar e reabilitar a infraestrutura de água e saneamento na região.
“Se barramos a transmissão de cólera através destas ações”, continuou Andrus, “também ajudamos a prevenir outras doenças diarreicas”. Desse modo, “os benefícios secundários são enormes, sem falar no crescimento econômico, aumento da produtividade e maior estabilidade nacional”.
“Água potável é medicina”, confirma Oldfield. “Cada homem, mulher e criança merece acesso à água potável e ao saneamento. Não é uma questão apenas de prevenção da cólera, mas de garantia a um direito humano básico.”