Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos pede que os 455 milhões de dólares prometidos para aliviar crise sejam liberados rapidamente para assegurar ganhos militares.
Tanto os esforços militares como políticos são vitais se os parceiros do Mali querem ajudar o país a sair de sua crise, reforçou o Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, nesta terça-feira (05), durante conferência sobre a situação do país realizada em Bruxelas, na Bélgica. A reunião contou com participação da União Africana (UA) e da Comunidade Econômica do Estados da África Ocidental (ECOWAS).
“Em última análise, o sucesso do nosso apoio ao povo do Mali vai depender da combinação eficaz de nossos esforços políticos e de segurança”, declarou Feltman. “A estabilização vai ser um esforço longo e difícil.”
O norte do Mali foi ocupado por grupos radicais depois que um conflito entre forças do Governo e rebeldes tuaregues eclodiu em janeiro de 2012. Os confrontos deslocaram milhares de pessoas e o Governo pediu ajuda da França para conter o avanço dos extremistas.
No mês passado, os doadores prometeram 455 milhões de dólares para o Mali em uma conferência realizada na capital etíope, Addis Abeba. Para Feltman, as promessas são prova da determinação da comunidade internacional em apoiar eficazmente os malineses e a região, mas “para assegurar os ganhos militares alcançados até o momento, é importante que as promessas feitas na conferência de doadores se materializem rapidamente para permitir que a AFISMA [Missão de Suporte Internacional liderada pela África no Mali] se torne plenamente operacional e que as forças malinesas de defesa e segurança aumentem suas capacidades”.
Feltman lembrou que alguns membros do Conselho de Segurança têm levantado a possibilidade de uma operação de manutenção de paz das Nações Unidas. A este respeito, o Subsecretário-Geral sublinhou a importância de uma estreita consulta entre ONU, AU, ECOWAS e malineses para garantir que “nossa resposta coletiva seja adequada para lidar com a situação e as necessidades no terreno”.
Segundo o representante da ONU, a recuperação das principais cidades no norte do país abriu novas perspectivas para o processo político. Feltman elogiou a mapa de transição da Assembleia Nacional que oferece a base para um “diálogo inclusivo” e afirmou que as autoridades devem continuar progredindo na preparação para eleições livres, justas e transparentes.
O Sebusecretário-Geral declarou, porém, estar preocupado com as acusações de que as forças do Governo teriam cometido sérias violações de direitos humanos nas áreas recuperadas. Feltman pediu respeito às leis internacionais e investigação de todas as denúncias.