Fome, cólera e problemas migratórios ameaçam conquistas do Haiti, alerta ONU

Número de casos de cólera voltaram a aumentar em 2015, chegando a mais de 33 mil. Desde meados do ano passado, secas e os efeitos do El Niño deixaram cerca de 3 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

Condições de vida em campos para haitianos internamente deslocados estão se deteriorando, segundo o OCHA. Falta de saneamento e de água potável são alguns dos principais problemas.Foto: ONU / Hadrien Bonnaud

Condições de vida em campos para haitianos internamente deslocados estão se deteriorando, segundo o OCHA. Falta de saneamento e de água potável são alguns dos principais problemas.Foto: ONU / Hadrien Bonnaud

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) chamou a atenção, nesta sexta-feira (15), para a crise humanitária no Haiti, onde epidemias, fome e problemas migratórios ameaçam os avanços conquistados após o terremoto que atingiu o país em 2010. Desde junho de 2015, secas e os efeitos do El Niño contribuíram para aumentar a insegurança alimentar, que já afeta cerca de 3 milhões de haitianos.

No ano passado, foram registrados mais de 33 mil casos de cólera, número maior do que o verificado em 2014, quando 27,8 mil pessoas foram infectadas. O OCHA lembrou que os valores são muito inferiores aos de 2011, ano em que 353.033 haitianos contraíram a doença. O recente aumento, porém, indica que as conquistas dos últimos anos correm o risco de se perderem, caso a população continue vivendo com acesso precário à água potável, saneamento e tratamento médico. A agência da ONU tem buscado mobilizar a sociedade civil, o setor privado e a comunidade humanitária para fortalecer esses serviços no país.

O terremoto de 2010 matou mais de 200 mil pessoas e deixou, ao menos, 1,5 milhão de haitianos desabrigados. Segundo o OCHA, 96% dessas pessoas deslocadas não moram mais em campos de refugiados. “Apesar do progresso obtido até agora, ainda há cerca de 60 mil pessoas vivendo em campos para pessoas internamente deslocadas, em situações vulneráveis e precisando de assistência humanitária e soluções duráveis”, afirmou o diretor do OCHA no Haiti, Enzo di Taranto.

O Escritório da ONU destacou que o financiamento da assistência humanitária no país tem diminuído, o que pode provocar uma deterioração das condições de vida nos campos. “O Haiti não pode arriscar se tornar uma crise esquecida”, disse Taranto.

Por conta dos desafios internos, muitos cidadãos buscam oportunidades em outras nações, como a vizinha República Dominicana, de onde mais de 55 mil haitianos foram deportados ou voltaram para o Haiti por outros modos, desde junho de 2015. O número foi verificado pela Organização Internacional para Migrações (IOM) e parceiros locais.