Segundo o Relatório Perspectivas Econômicas da América Latina 2016, a evolução da participação da China nas cadeias de valor global latino-americanas tem sido notável e ultrapassou, até mesmo, as participações intrarregionais. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, Chile e Peru.

Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, Chile e Peru. Foto: Flickr/Rose Davies (cc)
A desaceleração do crescimento do PIB da América Latina aprofundou-se e é esperado que o mesmo seja negativo em 2015. De acordo com o relatório Perspectivas Econômicas da América Latina 2016, a América Latina registrou pelo segundo ano consecutivo um crescimento médio inferior ao registrado nos países da OCDE, após uma década de convergência com as economias avançadas.
Um crescimento global mais fraco, os preços mais baixos das matérias-primas e uma perda de dinamismo do investimento estão afetando o crescimento da região. No entanto, o desempenho das economias latino-americanas e caribenhas não é homogêneo: os exportadores industriais do México e da América Central estão em recuperação, enquanto os países andinos lutam para manter o crescimento, e duas das principais economias -Brasil e Venezuela – estão agora em recessão.
O relatório anual produzido conjuntamente entre o Centro de Desenvolvimento da OCDE, a Comissão para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) aponta para uma parceria reforçada entre a América Latina e a China. Segundo o Relatório lançado nesta sexta-feira (11), desde 2000, a relação comercial entre a América Latina e a China experimentou uma expansão excepcional, tendo multiplicado 22 vezes, em comparação com um aumento de três vezes com o resto do mundo.
“A ‘armadilha da renda média’ é um desafio persistente para a América Latina, que precisa atingir um maior grau de diversificação produtiva, de modernização e de integração. A nova situação da China (China’s new normal) é uma chamada de alerta e uma oportunidade para a estratégia de desenvolvimento da região na direção desses objetivos”, disse o diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, Mario Pezzini, no lançamento do Relatório durante a Reunião dos Ministros dos Assuntos Estrangeiros da Conferência Ibero-Americana realizada na Colômbia.
A evolução da participação da China nas cadeias de valor global latino-americanas tem sido notável e ultrapassou, até mesmo, as participações intrarregionais: entre 2000 e 2011, a participação intrarregional nas exportações da região (backward linkages) cresceu de 5% a 9%, enquanto que a participação da China aumentou de 1% para 11%. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, Chile e Peru.
A América Latina tem de avançar na sua agenda de integração, com base nas plataformas existentes, como o Mercosul, a Aliança do Pacífico e o CARICOM com o objetivo de captar os benefícios de uma maior integração em cadeias de valor globais.
A secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, defendeu “mercados regionais mais integrados, já que oferecem oportunidades para suprir uma maior demanda dos consumidores, realizar economias de escala e atrair mais investimento direto estrangeiro, além de proporcionar medidas de reforço da concorrência e um melhor acesso às trocas globais de valor”.
Acesse o relatório aqui.