Em visita à Indonésia, Diretor Executivo da agência destacou relação entre o crime organizado e problemas ambientais. No país, sobrevivência dos orangotangos é ameaçada pelas madeireiras ilegais.

Crimes ambientais, muitas vezes financiados e organizados por grupos criminosos organizados transnacionais, estão destruindo habitats e espécies em perigo em todo o mundo, declarou o Diretor Executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, no domingo (9), durante visita ao Centro de Reabilitação de Orangotangos Nyaru Menteng, em Kalimantan Central, na Indonésia.
O orangotango é um animal emblemático que representa a vulnerabilidade ao desmatamento, pois vive sempre próximo ao local de seu nascimento e, quando começam a migrar, é porque seu habitat está sob forte estresse. Apenas cerca de 50 mil orangotangos permanecem em estado selvagem na Indonésia hoje.
O UNODC estima que até 40% dos produtos de madeira exportada da Ásia Oriental e do Pacífico sejam produzidos a partir de madeira extraída de forma ilegal. A cada ano, a Indonésia perde entre 1,6 e 2,8 milhões de hectares de florestas – o equivalente a perder de quatro a sete campos de futebol por minuto.

“Hoje a história do comércio ilegal de madeira é uma história de violência, assassinatos, corrupção e lavagem de dinheiro”, disse Fedotov, ao pedir uma melhor aplicação das leis florestais e punições mais severas para os chefes desses esquemas.
Em Kalimantan Central, Fedotov elogiou os esforços do governo indonésio no combate a crimes ambientais e reiterou a disponibilidade do UNODC em apoiar iniciativas na província para reduzir o desmatamento ilegal.
“Dada a natureza transnacional dos crimes ambientais, é necessário estabelecer parcerias para aumentar nosso alcance e acelerar o progresso”, acrescentou.