Fuga da violência e da pobreza leva crianças a arriscarem a vida em viagens aos EUA, alerta UNICEF

Documento do UNICEF mostra que mais de 26 mil crianças desacompanhadas foram detidas na fronteira dos EUA com o México. Relatório da ONU aponta que maioria fugia de El Salvador, Guaremala e Honduras, países com maiores taxas de homicídio do mundo.

Migrantes almoçam em abrigo na Guatemala, depois de serem deportados do México. Eles foram detidos em viagem para os EUA. Foto: UNICEF / Daniele Volpe

Migrantes almoçam em abrigo na Guatemala, depois de serem deportados do México. Eles foram detidos em viagem para os EUA. Foto: UNICEF / Daniele Volpe

Milhares de crianças  continuam fugindo da violência e da pobreza na América Central, arriscando a vidas em viagens aos Estados Unidos, mesmo correndo o risco de serem sequestradas, traficadas, violadas ou mortas ao longo do percurso. A conclusão está em relatório divulgado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O documento ‘’Sonhos Rompidos: a Perigosa Travessia de Crianças da América Central para os Estados Unidos’’,  aponta que nos primeiros seis meses deste ano, 26 mil menores foram detidos na fronteira dos EUA com o México. No ano passado, foram 18.500 no mesmo período, contra 44.000 no primeiro semestre de 2014. Ainda no primeiro semestre de 2016,  29.700 pessoas que viajavam em família – a maioria mães com seus filhos – também foram detidas na região.

Segundo o relatório, muitas crianças apreendidas são de El Salvador, Guatemala e Honduras, onde há algumas das maiores taxas de homicídio do mundo. “É de cortar o coração pensar nessas crianças – a maioria adolescentes, mas algumas ainda mais novas – fazendo uma viagem cansativa e extremamente perigosa em busca de segurança e uma vida melhor”, disse o vice-diretor executivo do UNICEF, Justin Forsyth.

Em comunicado à imprensa, ele afirmou que o fluxo de jovens refugiados e migrantes aponta  “a importância urgente de combater a violência e as condições socioeconômicas nos  países de origem “.

O relatório revela  que muitos adultos e crianças  são deportados em processos acelerados; mulheres e jovens crianças passam semanas e às vezes meses em detenção; e as crianças desacompanhadas podem enfrentar anos de incerteza quando os casos vão para tribunais de imigração. De acordo com o UNICEF, crianças desacompanhadas e sem advogado nas audiências têm mais chances de deportação.

Em casos recentes, 40% dos menores sem advogado receberam ordem de deportação, contra apenas 3% das crianças que tinham um representante legal. Muitos deportados, segundo a agência da ONU, são mortos ou violentados por gangues  quando retornam aos países de origem.

Diante da situação, o UNICEF e parceiros têm apoiado os esforços dos governos da América Central para melhorar a vida das crianças e combater a violência. Além disso, o UNICEF também está fortalecendo os serviços em educação e saúde e pede que os governos prestem a assistência necessária às crianças que regressam.

“Devemos lembrar que as crianças são apenas crianças. Nós temos o dever de mantê-los seguros em um ambiente saudável e estimulante “, disse Forsyth.