“Sinto que estamos sendo levados para a nossa morte”. As palavras são da refugiada síria Dooa Al Zamel, logo antes de entrar num barco pesqueiro clandestino junto com outros 500 passageiros. A história da jovem é contada em detalhes no livro ‘A Hope More Powerful than the Sea’, da porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming.
A autora chefiou por oito anos o departamento de comunicação da agência e atualmente faz parte da equipe de transição do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Doaa sobreviveu a naufrágio e conseguiu salvar uma das cerca de cem crianças a bordo do barco que deveria lhe levar à Europa. Foto: Elena Dorfman
“Sinto que estamos sendo levados para a nossa morte”. As palavras são da refugiada síria Dooa Al Zamel, logo antes de entrar num barco pesqueiro clandestino junto com outros 500 passageiros. Aos 19 anos, ela havia fugido de seu país de origem por causa da guerra e tinha esperanças de reconstruir a vida com o marido na Europa.
O presságio de Doaa se cumpriu. A embarcação naufragou, levando centenas de vidas, incluindo a de seu esposo. Ela, porém, conseguiu sobreviver e salvar uma criança, após passar dias à deriva. A trajetória da jovem é contada em detalhes no recém-publicado A Hope More Powerful than the Sea (Uma esperança mais poderosa que o mar, em tradução livre), livro da porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming.
Para escrever a obra, a autora se inspirou nos oito anos durante os quais chefiou o departamento de comunicação da agência da ONU. Em declarações recentes à imprensa e nas redes sociais, Fleming afirmou que “se as pessoas conhecessem as histórias dos refugiados, não haveria tantos muros (no mundo)”.

Melissa Fleming liderou por oito anos o departamento de comunicação do ACNUR. Foto: ACNUR/TED
Segundo a funcionária do Alto Comissariado — que se ausentou temporariamente do posto desde o final do ano passado para trabalhar como conselheira sênior do secretário-geral da ONU —, um dos desafios do trabalho no ACNUR era fazer com o que as pessoas se importassem com os 60 milhões de indivíduos vítimas de deslocamento forçado.
Para Fleming, a humanidade não é egoísta, mas comunidades podem se fechar em relação a outras quando se sentem inseguras.
“Pode ser muito difícil acolher estranhos quando você é levado a se sentir ameaçado. Mesmo quando aqueles estranhos são mais vulneráveis do que você”, afirma a autora. O livro sobre Doaa é uma aposta no poder das palavras e também na capacidade de empatia do ser humano que, diante da tragédia minuciosamente descrita por Fleming, talvez repense o modo como recebe estrangeiros em sua pátria.
Leia um trecho do livro aqui (em inglês).