Funcionárias da ONU condenam assassinato de trabalhadora no Afeganistão

Nadia Sidiqi atuava na área de políticas para as mulheres em uma província local. UNESCO e ONU Mulheres pediram punição e o avanço de políticas para o setor.

Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova. (UNESCO/D. Bijeljac)

Juntamente com uma ex-presidente da Finlândia, duas funcionárias do alto escalão das Nações Unidas condenaram nesta segunda-feira (10), justamente quando se lembrou o Dia Mundial dos Direitos Humanos, o assassinato de Nadia Sidiqi, oficial afegã que trabalhava em políticas para as mulheres.

“O assassinato de Nadia Sadiqi é inaceitável. No Dia dos Direitos Humanos, eu vejo isso como um lembrete austero para todos nós de que a luta pela dignidade humana e pelas liberdades fundamentais deve permanecer a nossa tarefa número um”, disse a Diretora-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova.

“O Afeganistão está lutando para se tornar uma sociedade justa e pacífica”, acrescentou. “Não podemos deixar que a violência inviabilize essa tarefa vital.”

Sidiqi – Diretora em exercício do Departamento de Assuntos da Mulher na província oriental afegã de Laghman – foi baleada e morta na segunda-feira por dois pistoleiros não identificados, a caminho do trabalho.

A Assembleia Geral da ONU adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) em 10 de dezembro de 1948 – e a data desde então tem servido para marcar Dia Mundial dos Direitos Humanos. A DUDH estabelece uma ampla gama de direitos humanos fundamentais e as liberdades a que todos os homens e mulheres, em todo o mundo, têm direito, sem qualquer distinção.

“Os direitos de meninas e mulheres são a chave para um futuro melhor e mais forte para o Afeganistão, bem como para a prosperidade e abertura de sua sociedade”, disse a Diretora Executiva da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Michelle Bachelet. “Essa violência é uma terrível violação dos direitos humanos que ameaça a governabilidade democrática”.

A ex-Presidente da Finlândia, Tarja Halonen, juntou-se às duas funcionárias da ONU para condenar o ataque, descrevendo-o como “um ataque contra a mudança positiva que está em andamento” na nação da Ásia Central.

“Nós apoiamos o Governo do Afeganistão para trazer aqueles que são culpados deste crime à justiça e no desenvolvimento de políticas mais fortes para avançar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, especialmente para as mulheres”, disse Halonen.

As três líderes estavam na sede da UNESCO em Paris para um evento de de alto nível denominado “Levante-se para Malala, Levante-se para o direito das meninas à educação”, organizado pela UNESCO e pelo Governo do Paquistão.