Funcionário do Programa Mundial de Alimentos da ONU carregará Tocha Olímpica

José da Silva – ou simplesmente Ari, como é conhecido pelos colegas e amigos – vai representar os cerca de 15 mil funcionários do PMA em todo o mundo. Sua vida é marcada por trabalho duro e conquistas significativas.

Na adolescência, Ari da Silva vendeu 'dindin' – também conhecido como 'sacolé' ou 'geladinho' – em partidas de futebol para comprar os livros que seu pai não podia comprar. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

Na adolescência, Ari da Silva vendeu ‘dindin’ – também conhecido como ‘sacolé’ ou ‘geladinho’ – em partidas de futebol para comprar os livros que seu pai não podia comprar. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

José da Silva acorda todos os dias às seis da manhã para correr quatro quilômetros antes de ir para o trabalho. Duas vezes por semana, depois de encerrar o dia como motorista do Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), Ari, como é mais conhecido, vai para a academia praticar jiu-jitsu.

Tanto exercício vai ser útil no próximo dia 14 de julho, quando Ari vai correr 200 metros carregando a famosa tocha olímpica em nome do PMA, durante a passagem da tocha por Curitiba.

“Eu fiquei empolgado ao ser selecionado”, disse Ari, que foi escolhido entre 10 candidatos para ser o representante oficial do PMA na tradicional passagem da tocha das Olimpíadas do Rio. “Enquanto estiver correndo, vou pensar em toda a equipe do PMA que trabalha no campo e em todas as pessoas que o PMA ajuda.”

A escolha de Ari marca uma vida de trabalho duro e conquistas. Como um dos quatro filhos de um casal de ascendência africana e indígena – grupos que ainda enfrentam discriminação no Brasil – Ari cresceu recebendo alimentação nas escolas públicas. Na adolescência, vendeu “dindin” – também conhecido como “sacolé” ou “geladinho” – em partidas de futebol para comprar os livros que seu pai não podia comprar.

Em 2011, Ari juntou-se à equipe do Centro de Excelência contra a Fome, depois de ter trabalhado como motorista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ele foi o primeiro funcionário do Centro, escritório do PMA criado para apoiar países em busca de soluções sustentáveis para a fome e a pobreza.

Ari vai correr 200 metros carregando a famosa tocha olímpica em nome do PMA, durante a passagem da tocha por Curitiba. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

Ari vai correr 200 metros carregando a famosa tocha olímpica em nome do PMA, durante a passagem da tocha por Curitiba. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

“Quando soube dessa vaga, quis concorrer, porque me identifiquei com a missão do PMA”, conta Ari. “As Olimpíadas são um momento histórico para o Brasil, o que me motivou a querer participar, mas também vou representar cerca de 15 mil funcionários de todo o mundo, então é um momento importante para mim.”

Outros funcionários do PMA já carregaram a tocha olímpica, como Vadsana Sinthavong (do Laos), que carregou a tocha em Birmingham para as Olimpíadas de Londres de 2012, e Aziza Mohamed (do Sudão), que carregou a tocha antes das Olimpíadas de inverno de Sochi, Rússia, em 2014.

Ari está ansioso pelo início dos jogos – e não só pela corrida de 200 metros para a fama. Ele é fã do César Cielo e vai torcer para que o nadador consiga sua quarta medalha olímpica.

Carregar a tocha, no entanto, vai ser o ponto alto da festa. “É algo de que vou me lembrar pelo resto da vida”, disse. “Tenho certeza de que até minha filha de seis anos, Esther, vai se lembrar de que um dia carreguei a tocha olímpica.”

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