No dia 14 de julho, Ari, motorista do Centro de Excelência contra a Fome, vai enfrentar o inverno curitibano para percorrer 200 metros portando a tocha símbolo da união entre os povos em torno do esporte.
Por ter sido beneficiado pela alimentação escolar no Brasil durante toda a infância, ele mal contém a ansiedade para representar o Programa Mundial de Alimentos (PMA), instituição das Nações Unidas que apoia a alimentação escolar de 14,4 milhões de crianças em todo o mundo.

José de Arimateia da Silva, mais conhecido como Ari, tem apoiado todas as atividades do Centro de Excelência contra a Fome desde sua criação em 2011. Foto: PMA
Cadê o Ari? Esta é sem dúvida a pergunta mais ouvida no dia a dia do Centro de Excelência contra a Fome, parceria entre o governo federal e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), em Brasília. A razão pela qual o motorista é tão requisitado é sua impressionante habilidade para resolver os mais diversos problemas, sempre com bom humor, entusiasmo e carinho pelos demais membros da equipe.
José de Arimateia da Silva, mais conhecido como Ari, tem apoiado todas as atividades do Centro desde sua criação em 2011. Foi o primeiro funcionário a ser contratado e desde então já desempenhou tarefas variadas, como tirar fotos, comprar material de escritório, apoiar as mais de 40 visitas de estudo que o centro organizou em 38 países, além, é claro, de conduzir em segurança a equipe do centro a seus compromissos profissionais.
Toda essa desenvoltura o transformou num colega de trabalho querido e imprescindível e, junto com sua história de vida emocionante, lhe rendeu uma indicação para representar os mais de 14 mil funcionários do PMA no revezamento da tocha para as Olimpíadas de 2016.
No dia 14 de julho, Ari vai enfrentar o inverno curitibano para percorrer 200 metros portando a tocha símbolo da união entre os povos em torno do esporte. Por ter sido beneficiado pela alimentação escolar no Brasil durante toda a infância, Ari mal pode conter a ansiedade para representar a instituição que apoia a alimentação escolar de 14,4 milhões de crianças em todo o mundo.
Ari nasceu e foi criado no Gama, cidade do entorno de Brasília. A mãe era dona de casa e o pai viajava muito para trabalhar. O casal teve quatro filhos, e o orçamento doméstico era pequeno. Ari desde cedo batalhou para construir um futuro feliz: “filho de família humilde, eu vi que ou eu corria atrás das minhas coisas ou teria que me acomodar na pobreza”. Aos 11 anos, começou a vender suco de fruta congelado em saquinho para conseguir dinheiro para comprar material escolar. Sempre estudou em escola pública e se beneficiou da alimentação escolar.
Quando, aos 16 anos, conseguiu seu primeiro emprego como contínuo, foi repreendido por chegar no primeiro dia de trabalho calçando chinelos. “Era o único calçado que eu tinha”, conta. Apertando aqui e ali, sua mãe conseguiu comprar um sapato para que o filho pudesse trabalhar bem vestido. “Nada para mim foi fácil, por isso para mim não tem dia ruim”.
Ari nunca deixou de trabalhar. Muito jovem conheceu Rafaela e logo os dois se casaram. O começo do relacionamento foi marcado pela luta contra o preconceito da família dela. Eles não aprovavam a relação pelo fato de Ari ser de origem negra e indígena.
Há cinco anos, Ari é o motorista do Centro de Excelência do PMA. Com seu foco e determinação, apoiou a esposa a terminar a faculdade e já conquistou casa e carro próprios.
Sua principal conquista veio em 2009, quando Esther, sua filha, nasceu. A menina tem sido a maior inspiração de Ari na preparação para a corrida com a tocha olímpica. “Ela já contou na escola para todos os amiguinhos, e a professora até me convidou para falar para a turma dela sobre a experiência de carregar a tocha”, conta Ari.
Motivado pela indicação para representar o PMA no revezamento da tocha, Ari aumentou sua rotina de exercícios e mobilizou toda a família para correr e melhorar a alimentação. “Agora que está chegando perto, estou ficando ansioso. É um curto espaço de tempo, mas é uma oportunidade que poucas pessoas têm. Ainda mais no meu caso, porque vou representar o PMA. Vou carregar um símbolo da paz”.