Fundo agrícola da ONU avalia de forma remota impactos de projeto no Semiárido do Piauí

Uma missão remota será realizada até 12 de junho pelo Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (FIDA) das Nações Unidas para avaliar os impactos do Projeto Viva o Semiárido no Piauí.

O projeto atua em 89 municípios estado e beneficia 211 comunidades e cerca de 8  mil famílias com as mais variadas atividades de inclusão produtiva, como avicultura, apicultura, ovinocaprinocultura, cajucultura e piscicultura.

São projetos com assistência técnica, social e ambiental para as famílias, voltados para as mulheres, jovens e quilombolas.

Projeto Viva o Semiárido fortalece negócios de pequenos agricultores no Piauí. Foto: FIDA/Manoela Cavadas

Projeto Viva o Semiárido fortalece negócios de pequenos agricultores no Piauí. Foto: FIDA/Manoela Cavadas

O governo do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF) e do Projeto Viva o Semiárido (PVSA), recebe até 12 de junho a Missão de Supervisão Remota do Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (FIDA) das Nações Unidas.

Além da equipe da SAF e das co-executoras do PVSA, participam da missão cinco consultores e o oficial de Programas do FIDA no Brasil, Hardi Vieira. Esta será a primeira missão de supervisão do FIDA no Brasil inteiramente remota.

As videoconferências serão realizadas com a participação de representantes de empresas de assistência técnica e extensão rural, cooperativas, associações beneficiárias do projeto no Piauí e representantes das co-executoras como Secretaria da Fazenda (SEFAZ), Secretaria do Planejamento (SEPLAN), Secretaria da Educação (SEDUC), Secretaria Estadual da Assistência Social (SASC), Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) e Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí (EMATER).

A missão tem o objetivo de avaliar os resultados do projeto executado pela SAF, por meio da parceria com o FIDA, e avançar na conclusão de nova parceria de um projeto mais amplo no estado para os próximos anos.

O secretário de Estado da Agricultura Familiar, Hérbert Buenos Aires, destacou a agenda da missão, que inclui reuniões com a SAF e as co-executoras do PVSA, com o objetivo de renovar a parceria por meio de um novo projeto mais amplo. O Piauí Sustentável e Inclusivo tem operação de crédito externo para um novo financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e aguarda a aprovação na Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX) ainda este ano.

O financiamento total é de 125 milhões de dólares, aproximadamente 600 milhões de reais, com expectativa de conclusão do desenho do projeto nos últimos meses do ano e início de implementação em 2021, com investimentos na perenização de rios, atuação no meio ambiente e questões fundiárias focando nos municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

O superintendente da SAF e coordenador do PVSA no Piauí, Francisco das Chagas Ribeiro, frisa que a realização da missão remota respeita as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A programação conta com a realização de visitas virtuais, com associações beneficiárias do projeto, que estão enviando materiais como fotos e vídeos, de diversas comunidades como Umburana Brava, Lagoa do Canto e Vista Alegre, mostrando os resultados dos projetos produtivos nas suas respectivas comunidades, envolvendo a produção, a comercialização, dificuldades e experiências exitosas.

O oficial do FIDA no Brasil, Hardi Vieira, ressalta que a agenda vai englobar a preparação da avaliação de impacto do projeto, que está sendo preparada em colaboração com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e outras ações serão discutidas, como um novo projeto de doação do FIDA que se chama AKSAAM (Adaptando Conhecimento para a Agricultura Sustentável e o Acesso a Mercados), que prevê ações no Piauí com a Cooperativa dos Produtores Rurais da Chapada Vale do Rio Itaim (Coovita), Instituto IComradio do Brasil (Icomradio), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco (MIQCB), entre outros parceiros.

A equipe estará focada nos ajustes necessários para a finalização e o atendimento no campo e atingimento de 100% das metas previstas. Para isso, começa a ser realizada uma pesquisa virtual de resultados com um grupo de beneficiários do Projeto Viva o Semiárido, com objetivo de colher informações de resultados e fazer também um levantamento dos efeitos da COVID-19 no campo e na implementação do PVSA.

Com a suspensão da assistência sistemática presencial, por causa do isolamento social, também será abordada na missão a retomada do trabalho em campo junto às comunidades. Nesse sentido, o PVSA terá um papel chave na recuperação econômica pós-pandemia no meio rural do Piauí.

Hardi Vieira também frisou que o novo projeto na parceria FIDA e BID no Piauí irá agregar ações de investimento produtivo a dois eixos muito importantes, o acesso à água com a temática de barragens sucessivas.

“Não só para o consumo humano, mas para produção agrícola, climática e meio ambiente, com a recuperação da vegetação nativa e mata ciliar, ou seja, com acesso à água, meio ambiente e produção sustentável”, concluiu oficial do FIDA.

PVSA

O Projeto Viva o Semiárido atua em 89 municípios do Piauí e beneficia 211 comunidades e cerca de 8  mil famílias com as mais variadas atividades de inclusão produtiva como a avicultura, apicultura, ovinocaprinocultura, cajucultura e a piscicultura.

São projetos com assistência técnica, social e ambiental para as famílias, voltados para as mulheres, jovens e quilombolas.

O investimento total do PVSA é da ordem de 40 milhões de dólares ou aproximadamente R$ 200 milhões.