Enquanto atividades desportivas e de lazer não são ações diretas para a erradicação da pobreza, fome, mortalidade infantil ou de doenças, as Nações Unidas as reconhecem como ferramentas poderosas na promoção dos objetivos de desenvolvimento e paz.

O projeto visa a fornecer às mulheres e às jovens espaços seguros ondes elas possam socializar e participar de atividades sociais e de lazer, a fim de promover os direitos das mulheres à igualdade de participação na vida pública. Foto: UNRWA
A cada sábado, um grupo de mulheres se reúnem na frente da associação Rawafed em Deir El-Balah, no centro de Gaza, preparando-se para sua sessão semanal de ‘power walking’, uma caminhada de duas horas pela vizinhança e ao longo da praia.
Uma caminhada pelo bairro pode ser uma atividade normal para as mulheres em outros países, porém em comunidades remotas em Gaza, ver mulheres participarem de atividades desportivas em público é bastante incomum.
“No início, a minha família se opôs que eu caminhasse pela vizinhança. No entanto, quando eles aprenderam que as atividades desportivas também são encorajadas pela UNRWA, eles mudaram de opinião. A comunidade confia muito na UNRWA e minha família passou a apoiar o meu desejo”, explicou Mariam Abu Omra, que participa ativamente nas sessões de exercício.
Mariam e Hanã Ahmad são duas das dezenas de mulheres refugiadas que visitam regularmente a Associação Rawafed, uma organização comunitária em Deir El-Balah que tem sido apoiada pela Iniciativa de Gênero da UNRWA (GI) desde 2008 através do seu projeto “Espaços Sociais e Recreativos” (SRS). Este projeto visa a fornecer às mulheres e às jovens espaços seguros ondes elas possam socializar e participar de atividades sociais e de lazer, a fim de promover os direitos das mulheres à igualdade de participação na vida pública.
No total, o GI realiza atividades do SRS em 27 organizações de base comunitária (CBOs) em toda a faixa de Gaza, incluindo aulas de alfabetização em árabe e inglês – com unidades móvel de alfabetização para 90 mulheres em áreas marginalizadas – artes e oficina de teatro, clubes do livro e atividades de saúde física para proporcionar bem-estar psicossocial.
Enquanto atividades desportivas e de lazer não são ações diretas para a erradicação da pobreza, fome, mortalidade infantil ou de doenças, as Nações Unidas as reconhecem como ferramentas poderosas na promoção dos objetivos de desenvolvimento e paz.
“Desde que comecei a participar da caminhada, tenho mais energia. É tudo uma questão de organização de tempo. Eu faço todos os meus afazeres domésticos rapidamente de modo que eu possa vir aqui e me exercitar e então eu volto rapidamente e faço o dever de casa com as crianças”, comentou Hanã sobre a sua rotina apertada.
Muitas mulheres se sentem empoderadas ao fazerem atividades fora de casa, fazendo amizades, participando da vida pública e assumindo responsabilidades. “Antes de fazer esportes, eu sentia como se eu só tivesse tempo para estar com minha família. Agora eu sinto que tenho mais força e energia. Por exemplo, quero começar a dar aulas para crianças”, disse Hanã.