General brasileiro participará de Painel Independente para Avaliação de Operações de Paz da ONU

Presidido pelo ganhador do prêmio Nobel, José Ramos-Horta, o painel conta com 14 especialistas de diferentes áreas. Floriano Peixoto comandava as tropas da ONU no Haiti durante o terremoto de 2010.

O general brasileiro Floriano Peixoto durante uma visita a Cité Soleil, no Haiti, onde coordenava a distribuição de comida e água após o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Foto: MINUSTAH

O general brasileiro Floriano Peixoto durante uma visita a Cité Soleil, no Haiti, onde coordenava a distribuição de comida e água após o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Foto: MINUSTAH

O general brasileiro Floriano Peixoto participará do recém criado Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz, convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para avaliar a arquitetura das Forças de Paz da ONU e sugerir adaptações aos desafios dos conflitos cada vez mais voláteis.

“O mundo está mudando e as operações de paz da ONU devem mudar se querem continuar a ser uma ferramenta indispensável e efetiva na promoção da paz e segurança internacional”, afirmou Ban na última sexta-feira (31) ao anunciar a criação do painel com 14 especialistas de diferentes campos de conhecimento.

Presidido pelo ganhador do prêmio Nobel, José Ramos-Horta, do Timor-Leste, o painel realizará uma avaliação abrangente das operações de paz da ONU e as necessidades e desafios futuros. Com foco nas capacidades e performance das operações de paz, o estudo abordará a natureza do conflito, mandatos, arranjos administrativos e gerenciais, planejamento, parcerias, direitos humanos e proteção de civis.

A última revisão externa das operações de paz da ONU aconteceu em 2000. Esta nova convocatória, no entanto, adiciona uma particularidade inédita ao mandato do Painel ao incluir a análise das missões políticas especiais.

Único militar presente no grupo, o general brasileiro Floriano Peixoto atuou como comandante das tropas da Missão da ONU para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) de 2009 a 2010. Peixoto desempenhou um papel de liderança na colaboração das operações de paz para a manutenção da ordem e apoio na distribuição de ajuda humanitária aos cidadãos da nação caribenha após o terremoto de 12 de janeiro de 2010.

Ban Ki-moon lembrou que após 15 anos da primeira avaliação é hora de reexaminar o papel das operações da ONU, chamadas para enfrentar conflitos políticos complexos e desafiadores, muitas vez em ambientes de segurança voláteis onde as operações são os alvos diretos.

“Devemos fazer um balanço das expectativas envolvidas e considerar como a Organização pode levar a paz de maneira mais eficaz, ajudando aos países afetados pelo conflito e garantir que nossas forças de paz e missões políticas especiais continuem fortes e eficientes no contexto global em mutação.”

O Painel trabalhará em conjunto com os principais departamentos da ONU implicados, bem como com os Estados-membros e o Sistema da ONU como um todo. As recomendações do grupo serão incluídas no debate geral da Assembleia Geral de 2015.