Roxibel Pulido, de 29 anos, é uma das gestantes que deixaram a Venezuela. Ela estava no terceiro mês de gravidez quando soube que o hospital mais próximo de seu bairro, na cidade de Maracaibo, havia sido fechado.
Juntamente a seus dois outros filhos, ela chegou a Maicao, uma cidade colombiana perto da fronteira. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Colômbia é o país que hospeda o maior número de refugiados e migrantes venezuelanos, com mais de 1,3 milhão.
O registro nacional da Colômbia estima que cerca de 23 mil crianças nascidas de pais venezuelanos estejam esperando para receber a nacionalidade colombiana. O governo trabalha com parceiros para resolver a situação e prevenir futuros casos de crianças em risco de se tornarem apátridas.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) afirma que milhares de venezuelanos continuam a deixar o país todos os dias. Foto: UNICEF/Santiago Arcos
A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) afirma que milhares de gestantes venezuelanas deixaram o país nos últimos anos para proteger suas vidas e a de seus bebês, enquanto as mortes maternas teriam crescido 65%.
Nos últimos anos, os hospitais da Venezuela vêm enfrentando a escassez de suprimentos e de pessoal, além de constantes cortes de eletricidade. De acordo com dados do governo, entre 2015 e 2016, as mortes maternas teriam crescido 65% no país. Já a mortalidade infantil, após seis dias de nascimento, teria tido um aumento 53%.
Roxibel Pulido, de 29 anos, é uma das gestantes que deixaram o país. Ela estava no terceiro mês de gravidez quando soube que o hospital mais próximo de seu bairro, na cidade de Maracaibo, havia sido fechado.
Ela conta que “o hospital estava sob investigação porque três bebês recém-nascidos haviam morrido devido à falta de um gerador”. Ela diz acreditar que “se houvesse alguma complicação”, o hospital não poderia ajudá-la e o seu “bebê morreria”.
A venezuelana afirma que “é um momento muito ruim para ser uma mulher grávida” na Venezuela e que muitas delas “estão fugindo por amor aos seus bebês”.
Grávida de seu terceiro filho, Roxibel lembra que não conseguia parar de se preocupar com a falta de acesso aos cuidados de saúde” e que por isso decidiu deixar o seu país de origem.
Colômbia
Juntamente com seus dois outros filhos, ela chegou a Maicao, uma cidade colombiana perto da fronteira norte com a Venezuela. De acordo com o ACNUR, a Colômbia é o país que hospeda o maior número de refugiados e migrantes venezuelanos, com mais de 1,3 milhão.
Depois de passar dois meses nas ruas, Roxibel e seus filhos encontraram segurança no novo centro de acolhimento da agência da ONU, que abriga temporariamente até 350 pessoas vulneráveis da Venezuela, a maioria mulheres e crianças.
No centro, uma enfermeira conferiu a saúde de Roxibel e de seu bebê, algo que ela não pôde fazer na Venezuela durante a gravidez.
Roxibel tenía tres meses de embarazo cuando escuchó que el hospital de su vecindario, en la ciudad de Maracaibo, Venezuela, iba a cerrar.
Se fue a Colombia y estuvo dos meses en la calle hasta que entraron en el centro de atención de ACNUR en Maicao. https://t.co/GT471Vb7IU pic.twitter.com/dxlekPsWdQ
— Acnur/Unhcr Américas (@ACNURamericas) July 24, 2019
Segundo a coordenadora de Ginecologia e Obstetrícia do hospital público San Jose, Zela Cuello, mais de 1 mil mulheres venezuelanas foram atendidas no local no primeiro trimestre de 2019. A representante disse que a equipe dá “atenção preferencial e integral a todas as mulheres grávidas, sem distinção de nacionalidade”.
Uma das mulheres atendidas no hospital em Maicao foi Yorgelis Garcia, de 23 anos, que fugiu da Venezuela uma semana antes de dar à luz. Desesperada por comida e assistência médica, ela e o marido trilharam caminhos informais perigosos para chegar à Colômbia.
Yorgelis conta que “foi uma jornada difícil” e que o marido teve que carregar o filho de dois anos e garantir que ela “não caísse no chão.” A venezuelana, que teve uma menina e que agora também está vivendo no centro do ACNUR, disse que está “muito agradecida à Colômbia e à atenção médica” que recebeu no país.
Agora grávida de cinco meses, Roxibel está convencida de que também vai ter uma menina. Ela diz que ninguém ainda confirmou a informação, mas que sente em seu coração que “ela é uma guerreira”.
A preocupação atual de Roxibel é a de não conseguir registrar seu bebê na Colômbia para obter documento de identidade. A maioria dos venezuelanos não consegue registrar as crianças nascidas no país como cidadãos venezuelanos porque não têm a documentação necessária e os serviços consulares não estão disponíveis no momento.
Para obter a cidadania colombiana, a Constituição do país estipula que pelo menos um dos pais seja colombiano ou, se não for o caso, pelo menos um deles possua visto de trabalho no país. Muitos venezuelanos lutam para consegui-lo.
O registro nacional da Colômbia estima que cerca de 23 mil crianças nascidas de pais venezuelanos estejam esperando para receber a nacionalidade colombiana. O governo trabalha com parceiros para resolver a situação e prevenir futuros casos de crianças em risco de se tornarem apátridas.
O Acnur destaca que hoje, milhões de pessoas em todo o mundo têm negada uma nacionalidade. A falta de documentação tem consequências muito sensíveis em suas vidas, como não ter permissão para ir à escola, consultar um médico, conseguir um emprego, abrir uma conta bancária, comprar uma casa ou até mesmo se casar.
Por meio de sua campanha #IBelong, #EuPertenço na tradução em português, a agência da ONU busca acabar com a apatridia em 10 anos.
Saiba mais sobre a campanha neste link.