Nos últimos cinco anos, mais de meio milhão de pessoas — principalmente somalis, etíopes e eritreus — cruzaram as águas do Golfo de Áden e do Mar Vermelho para chegar ao Iêmen em barcos superlotados.

Pessoas tentam chegar á embarcação que irá levá-las através do Golfo de Áden. Foto: ACNUR/Alixandra Fazzina
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou nesta terça-feira (11) que 44 pessoas estão desaparecidas e possivelmente morreram afogadas após o naufrágio de um barco, na costa sul do Iêmen, que contrabandeava migrantes. Para evitar novos desastres é necessário que a comunidade de doadores e a sociedade civil criem respostas abrangentes com o objetivo de reduzir e eventualmente evitar essas perigosas jornadas.
O navio que afundou estava transportando aproximadamente 77 homens, mulheres e crianças da Somália (31) e Etiópia (46). “Trinta e três pessoas foram resgatadas, mas as 44 restantes ainda estão desaparecidas e podem ter se afogado”, disse o porta-voz ACNUR, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra, descrevendo este como o pior incidente deste tipo em 2014.
Segundo o ACNUR, o barco partiu de Bossasso, na costa norte da Somália, na sexta-feira (7). “Ela [a embarcação] enfrentou ventos fortes e ondas altas no sul da costa de Shabwa, uma província no Iêmen”, disse Edwards, acrescentando que, de acordo com um dos sobreviventes, o barco teria enchido de água e virado muito rapidamente.
“Um homem de 45 anos do sul da Somália disse que perdeu seus dois filhos na tragédia, não conseguindo alcançá-los no escuro”, disse Edwards. “A única mulher sobrevivente perdeu a filha adolescente. Ela disse que os contrabandistas se recusaram a parar o barco quando ele começou a encher de água”, acrescentou.
Ao longo dos últimos cinco anos, mais de meio milhão de pessoas — principalmente somalis, etíopes e eritreus — cruzaram as águas do Golfo de Áden e do Mar Vermelho para chegar ao Iêmen em barcos superlotados. Além de inúmeros relatos de maus-tratos, abuso, estupro e tortura por contrabandistas, também existem relatos do “despejo” de passageiros em alto mar para evitar o naufrágio ou a descoberta do contrabando pelas autoridades.
Embora o número de pessoas que fazem esta perigosa jornada tenha diminuído — de 107.532 chegadas em 2012 para 65.319 em 2013 — as pessoas continuam se expondo a estas viagens que nos últimos anos deixaram centenas de mortos anônimos. Edwards pediu que governos, organizações internacionais e regionais, a comunidade de doadores e a sociedade civil criem respostas abrangentes para reduzir e eventualmente evitar essas travessias.