ONU: Governo do Sudão do Sul anuncia medidas para acabar com a violência sexual no país

A representante da ONU sobre violência sexual em conflito e o presidente do país divulgaram um comunicado que pontua as ações que serão adotadas para prevenir abusos contra as mulheres.

Foto: ACNUR/ T. Irwin

Foto: ACNUR/ T. Irwin

De volta de sua primeira visita ao Sudão do Sul na segunda-feira (13), a representante especial do secretário-geral da ONU sobre violência sexual em conflito, Zainab Hawa Bangura, advertiu que a violência sexual é uma característica consistente do conflito na região e está sendo cometido por todos os grupos implicados nas disputas.

Bangura foi para a cidade de Bentiu, no Sudão do Sul, para se reunir com o comandante local do Exército Popular da Libertação do Sudão (SPLA), autoridades do governo, funcionários da ONU, trabalhadores humanitários e sobreviventes de violência sexual.

“O que eu testemunhei em Bentiu foi uma das piores coisas que eu já vi em quase 30 anos lidando com estas questões. Isto por conta da combinação da insegurança generalizada, das condições inimagináveis de moradia e com as preocupações de proteção diárias e violência sexual desenfreada no país”, contou a representante da ONU.

“Os corpos de mulheres e crianças são o campo de batalha do conflito. Nas palavras de uma mulher ativista que conheci: ‘Não é apenas o estupro, mas a provocação de dor e destruição inimagináveis’”, continuou Bangura.

Sua visita foi encerrada com um comunicado conjunto com o Governo que descreve medidas claras que serão tomadas para prevenir e combater os crimes de violência sexual.

Mulheres pedem o fim da guerra

A representante especial explicou que a situação na nação mais jovem do mundo piorou desde dezembro de 2013 com o aumento da violência. “Há também preocupações graves com atos de violência sexual cometidos por linhas étnicas diferentes, o que está gerando um ciclo de recriminação e vingança”, adicionou.

Condenando estas atrocidades, lembrou a todas as partes no conflito, incluindo forças do governo e da oposição, que estas “não podem declarar guerra ao seu próprio povo”, e que os culpados pelos atos devem responder pelos seus crimes.

O custo humanitário do conflito vai continuar crescendo até que haja um acordo de paz viável entre as partes. Mas uma coisa é certa: “A mensagem das mulheres do Sudão do Sul para os seus líderes políticos é muito clara: acabem com esta guerra”, disse a representante da ONU sobre violência sexual em conflito.

O acordo de cessar-fogo recentemente assinado pontua áreas prioritárias de ação, dentre elas a garantia de assistência médica, psicossocial e jurídica às vítimas; o combate à impunidade, a segurança e reforma do setor da justiça, além de assegurar que o fim dos crimes de violência sexual faz parte do processo de paz.

Bangura também se reuniu com o líder da oposição, Riek Machar, em Adis Abeba, na Etiópia, para discutir medidas concretas que o Movimento de Libertação do Povo do Sudão deve tomar para prevenir a violência sexual pelas suas forças e em áreas sob seu controle.