Governo equatoriano e ONU lançam apelo para arrecadar US$73 mi para assistência após terremoto

O governo do Equador e as Nações Unidas lançaram na sexta-feira (22) um apelo para arrecadar 72,7 milhões de dólares para responder ao terremoto de magnitude 7,8 que atingiu províncias do noroeste do país pouco mais de uma semana atrás. O objetivo é fornecer assistência e serviços de proteção a aproximadamente 350 mil pessoas nos próximos três meses.

Cidade de Manta, no Equador, foi uma das atingidas pelo terremoto de magnitude 7,8. Foto: Fotospúblicas / Carlos Silva / El Ciudadano

Cidade de Manta, no Equador, foi uma das atingidas pelo terremoto de magnitude 7,8. Foto: Fotospúblicas / Carlos Silva / El Ciudadano

O governo do Equador e as Nações Unidas lançaram na sexta-feira (22) um apelo urgente para arrecadar 72,7 milhões de dólares para responder ao terremoto de magnitude 7,8 que atingiu províncias do noroeste do país pouco mais de uma semana atrás. O objetivo é fornecer assistência a aproximadamente 350 mil pessoas nos próximos três meses.

O epicentro do terremoto foi próximo à cidade de Muisne e a 170 km a noroeste da capital, Quito. Apesar de ter sido localizado em uma área rural remota, diversas cidades das províncias costeiras foram afetadas. Mais de 300 tremores secundários foram registrados até agora, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Segundo dados de 21 de abril, 587 pessoas morreram, 155 estão desaparecidas e 8.340 ficaram feridas como resultado do terremoto que atingiu o país. Mais de 1.125 prédios foram destruídos e mais de 829 foram danificados, incluindo 281 escolas, segundo a agência humanitária da ONU.

Além disso, 25.376 pessoas estão em abrigos coletivos. Muitas rodovias, pontes e outras infraestruturas foram danificadas, resultando em desafios de logística e comunicação em algumas áreas.

A estimativa é que aproximadamente 720 mil pessoas tenham sido afetadas pelo terremoto e precisam de assistência, em um total de 7 milhões de pessoas que vivem nas seis províncias afetadas.

ACNUR presta assistência

A Agência da ONU para Refugiados tem distribuído tendas e lonas às pessoas que perderam suas casas em razão do mais forte terremoto que atingiu o país em décadas.

Duas equipes do ACNUR chegaram na sexta-feira a Chamanga e Pedernales, os locais mais gravemente afetados pelo terremoto, na província de Esmeraldas.

Trabalhando em conjunto com as autoridades equatorianas, as equipes da agência da ONU já entregaram 400 tendas e lonas de plástico para famílias em Chamanga, onde 570 casas foram destruídas, deixando mais da metade da população, de 5.000 habitantes, sem abrigo.

Na sequência, as equipes do ACNUR seguiram para a região de Canoas, onde entregaram outras 20 tendas e lonas de plástico.

“Dois muros colapsaram e a casa se dividiu ao meio”, disse Albeiro Sánchez (nome fictício), refugiado colombiano cuja família ficou sem teto em consequência do terremoto devastador. “Agora estamos na casa de uma sobrinha, mas não temos nenhum lugar para ir, ou onde deixar nossas coisas”.

As autoridades locais estão particularmente preocupadas com o acesso à água potável e a disponibilidade de tendas, no momento que se inicia a estação chuvosa.

“Ainda que as circunstâncias permaneçam críticas, estamos vendo uma grande solidariedade”, disse Andrea Ingham, chefe do escritório local do ACNUR em Esmeraldas. “Durante nossa visita, um caminhão pipa chegou, carregado com água da cidade de Atacames, graças à iniciativa de um hotel do local. Muitas outras pessoas chegaram oferecendo comida ou outro tipo de ajuda”.

Mais de 250 voluntários, residentes em Quito e organizados pelo Ministério da Inclusão Econômica e Social (MIES), apoiaram no descarregamento e carregamento das 100 toneladas de materiais de primeira necessidade destinados e a ajudar as pessoas afetadas.

UNICEF também fornece ajuda

O primeiro carregamento aéreo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) com 86 toneladas de ajuda humanitária chegou a Quito também na sexta-feira para atender crianças e famílias vítimas dos terremotos. A agência estima que 250 mil crianças foram afetadas pela destruição.

“Precisamos levar esses suprimentos para as crianças e precisamos fazer isso rapidamente”, disse Grant Leaity, representante do UNICEF no Equador. “Quanto mais tempo elas ficarem sem abrigo, água potável e proteção contra doenças, maiores os riscos para sua saúde e seu bem-estar”, completou Leaity.

O carregamento aéreo inclui 10 mil cobertores de lã, 300 lonas de plástico, mais de 100 tendas grandes, 4 mil mosquiteiros tratados com inseticida, 250 mil cápsulas de vitamina A e kits para o tratamento de diarreia.

No Brasil, o UNICEF está arrecadando doações para as vítimas. Entre as prioridades também está prevenir a propagação de doenças; proteger as crianças que podem ter se separado das suas famílias; e dar apoio psicossocial às crianças e aos adolescentes.

No Brasil, as contribuições podem ser feitas diretamente em ambiente seguro pelo site do UNICEF.

Cooperação humanitária do governo brasileiro

O governo brasileiro manifestou, por meio de uma nota, solidariedade com as famílias das vítimas e “seu sentido pesar ao governo e ao povo do Equador”. O Itamaraty informou ainda que, no domingo (17), a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, telefonou para o colega equatoriano, Rafael Correa.

“Tendo em vista os laços de fraternidade que nos unem ao povo e ao governo equatoriano, bem como a gravidade da situação em que se encontra a população daquele país, o Brasil tem buscado atender, com a brevidade possível, as solicitações equatorianas de cooperação humanitária, em caráter de urgência”, disse o Itamaraty na nota.

O governo informa que as áreas competentes do governo brasileiro preveem o envio de aeronave militar ao Equador, cuja decolagem, da Base Aérea de Manaus, ocorreu no último sábado (23). A aeronave transportou uma carga com 2,4 mil frascos e 6 kits emergenciais, com 42 itens, incluindo medicamentos e insumos básicos de saúde. Cada kit pesa 250 kg e pode atender 500 pessoas por três meses, acrescentou a nota.

O governo equatoriano informou o corpo diplomático em Quito que estão esgotadas as capacidades de o país receber equipes estrangeiras especializadas em operações de resposta às emergências causadas por desastres naturais, motivo pelo qual não está previsto o deslocamento de profissionais brasileiros capacitados nessas áreas.