Grave crise humanitária prejudica transição política no Iêmen, avalia ONU

Mais de 12 milhões de pessoas não têm acesso à água potável, 10 milhões passam fome e 6 milhões não têm acesso a cuidados básicos de saúde.

Deslocados iemenitas. Foto: ACNUR

Deslocados iemenitas. Foto: ACNUR

O Iêmen não conseguirá completar sua transição política se milhões de pessoas continuarem necessitando de assistência emergencial, disse o enviado humanitário do secretário-geral da ONU para o Kuwait, Abdullah Al-Matouq, após visita de três dias ao país.

“Não pode haver uma transição sustentável a menos que suas necessidades humanitárias básicas sejam atendidas”, afirmou Al-Matouq na quinta-feira (4). “A situação humanitária continua grave. A menos que haja um debate, esta crise pode afetar as recentes conquistas políticas.”

Al-Matouq foi ao Iêmen para avaliar o impacto dos acontecimentos políticos recentes sobre a situação humanitária e incentivar maior integração das organizações regionais e internacionais e governos na resposta humanitária.

O Iêmen vem passando por uma transição democrática liderada pelo presidente Abdrabuh Mansour Hadi, que chegou ao poder por meio de uma eleição em fevereiro de 2012. Um marco importante foi alcançado em março deste ano com a abertura da conferência para o diálogo nacional que vai discutir as eleições gerais de 2014.

Além de se encontrar com líderes do governo, o enviado da ONU visitou a região norte do país onde há quase 300 mil iemenitas deslocados internos e migrantes do Chifre da África. Eles precisam urgentemente de acesso a cuidados médicos, alimentação, moradia, água potável, instalações sanitárias e segurança.

“Estou muito preocupado com o fato de que mais da metade da população de 24 milhões de pessoas do Iêmen não tem acesso à água potável e saneamento, 10 milhões não têm acesso suficiente aos alimentos e mais de 6 milhões não têm acesso a cuidados básicos de saúde”, disse Al-Matouq.

“As agências humanitárias estão trabalhando com o governo do Iêmen para responder às necessidades do país, mas há problemas no financiamento das operações”, explicou.

O Plano de Resposta Humanitária deste ano só recebeu 38% do financiamento requerido até agora.