Grécia deve buscar acordo da dívida que respeite os direitos humanos, diz ONU

Especialista cobra que governo do país e credores internacionais se esforcem para encontrar uma solução para a dívida grega que assegure os direitos humanos.

O índice de desemprego na Grécia chega a 35,7%. Foto: Flick/Simon Cocks (CC)

O índice de desemprego na Grécia chega a 35,7%. Foto: Flick/Simon Cocks (CC)

Notando que permanecem os desafios para conter a crise da dívida grega e abordando simultaneamente os direitos humanos, um especialista das Nações Unidas pediu nesta terça-feira (02) para que a Grécia e as instituições internacionais redobrem seus esforços para o “máximo de recursos disponíveis” para as obrigações financeiras e que assegurem o exercício dos direitos humanos.

O governo grego tem realizado políticas rigorosas desde 2010, em que os cortes de gastos públicos e as reformas do mercado de trabalho aceleraram o desemprego. Os dados mais recentes mostram que um em cada dois jovens está desempregado. Além disso, 35,7% da população está em risco de pobreza e exclusão social, a percentagem mais elevada na zona do euro.

Elogiando as ações feitas pela Grécia, como uma comissão de auditoria da dívida e uma lei para ajudar as pessoas que vivem em extrema pobreza, Juan Pablo Bohoslavsky, especialista independente das Nações Unidas sobre a dívida externa e direitos humanos disse, que essas iniciativas não “foram fundo o suficiente”. Ele também advertiu que “o direito econômico e social poderia ser ainda mais comprometido na Grécia pela falta de flexibilidade”.

O governo grego e os credores internacionais devem considerar uma abordagem holística para tratar de questões de direitos econômicos e sociais, recomenda o especialista da ONU, com uma prioridade em maximizar os recursos disponíveis para “fortalecer a economia real e fechar lacunas na segurança social”