Guerra civil na Síria: Impacto econômico é ‘esmagador e traumático’, afirma agência da ONU

Baseada em amostra de 8 mil beneficiários de programa de financiamento, pesquisa calcula que a Síria levará 30 anos para se recuperar economicamente. Custo de vida dobrou desde o início da crise.

Garota carrega água em meio a escombros da cidade síria de Alepo. Segundo pesquisa, nove em cada dez beneficiários do programa de microfinanciamento da UNRWA precisa de ajuda para sobreviver. Foto: UNICEF/Romenzi

Garota carrega água em meio a escombros da cidade síria de Alepo. Segundo pesquisa, nove em cada dez beneficiários do programa de microfinanciamento da UNRWA precisa de ajuda para sobreviver. Foto: UNICEF/Romenzi

Em pesquisa inédita divulgada esta semana, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), através de seu programa de microfinanciamento na Síria, definiu o impacto do conflito na economia local como “esmagador e traumático”, com a grande maioria dos seus beneficiários deslocada ou precisando de assistência humanitária.

“Este é o primeiro estudo do tipo e fornece evidências estatísticas do impacto trágico nos meios de subsistência em toda a Síria”, disse o porta-voz da UNRWA, Chris Gunness.

“Mais da metade dos nossos beneficiários tiveram suas casas danificadas, com 14% tendo as casas destruídas completamente. Empresas de mulheres foram as mais atingidas, com quase dois terços muito dependentes do crédito da UNRWA.”

Uma guerra que custou 30 anos

Com apoio da União Europeia e baseada em uma amostra de 8 mil beneficiários palestinos e sírios, a pesquisa relata que a Síria levará 30 anos para retomar os níveis econômicos de 2010. O deslocamento, a destruição e os saques foram tão grandes que apenas 13% das empresas apoiadas pela UNRWA conseguiram sobreviver.

Quanto à qualidade de vida dos beneficiários, o relatório também aponta para um quadro sombrio: quase metade (48%) dos entrevistados sofria com abrigos inadequados e, enquanto o custo de vida dobrou nos últimos três anos, a renda mensal de 83% diminuiu.

“Nosso projeto de microfinanciamento agora desempenha um duplo papel na sustentação dessas pequenas empresas, pois também proporciona ajuda vital para os refugiados da Palestina afetados pelo conflito”, concluiu Gunness.