Guerra da Síria entra no 7º ano; agência da ONU alerta para ‘encruzilhada’

A guerra síria é um “fracasso coletivo” e, embora exista esperança de paz, as necessidades e o sofrimento de milhões de sírios continuam inalterados, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em nota nesta quinta-feira (9).

“A Síria está numa encruzilhada”, disse Filippo Grandi, alto-comissário da ONU para refugiados. “A menos que sejam tomadas medidas drásticas para fortalecer a paz e a segurança para a Síria, a situação vai piorar”.

Brinquedos em meio a destroços de casa destruída por bombardeio na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Brinquedos em meio a destroços de casa destruída por bombardeio na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Enquanto o mundo se prepara para mais um marco trágico no brutal conflito sírio, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) encoraja a comunidade internacional a redobrar seu generoso apoio para amenizar o contínuo e intenso sofrimento de milhões de civis inocentes no país e região.

“A Síria está numa encruzilhada”, disse Filippo Grandi, alto-comissário da ONU para refugiados. “A menos que sejam tomadas medidas drásticas para fortalecer a paz e a segurança para a Síria, a situação vai piorar”.

Na Síria, 13,5 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária; 6,3 milhões são deslocados internos; centenas de milhares fizeram viagens marítimas arriscadas em busca de segurança; quase 3 milhões de sírios menores de 5 anos cresceram sem saber como é viver em um país sem conflitos; e 4,9 milhões — a maioria mulheres e crianças — são refugiados em países vizinhos, colocando as comunidades anfitriãs sob enorme pressão à medida que assumem as consequências sociais, econômicas e políticas do conflito.

“Em última análise, o conflito da Síria não é sobre números — é sobre as pessoas”, acrescentou Grandi. “Famílias foram devastadas, civis inocentes foram mortos, casas destruídas, empresas e meios de subsistência destruídos. É um fracasso coletivo”.

Este ano e nos próximos, o ACNUR continuará a prestar ajuda e proteção às vítimas tanto na Síria como nos países vizinhos. Seus parceiros também têm fornecido ajuda para salvar a vida de milhões de pessoas.

Em 2016, mais de 1 milhão de sírios receberam assistência no inverno — itens essenciais para ajudar a manter as pessoas vivas em temperaturas abaixo de zero. No ano passado, mais de 4 milhões de pessoas na Síria receberam itens básicos de socorro como comida, remédios, roupas de cama e outros utensílios.

Mais de 2 milhões se beneficiaram da rede de centros comunitários do ACNUR na Síria, que ofereceram serviços que incluem proteção à criança, educação e saúde. Na região, mais de 3 milhões de deslocados sírios e refugiados receberam ajuda para sobreviver ao inverno rigoroso.

O ACNUR e seus parceiros ajudaram quase 5 milhões de refugiados sírios e também aqueles que os receberam com uma gama de proteção e assistência, incluindo educação, assistência médica e abrigo nos cinco principais países que acolhem refugiados na região.

No entanto, de acordo com a agência da ONU, à medida que as vulnerabilidades aumentam ao longo do tempo, o financiamento está ficando aquém das necessidades. Uma conferência em Bruxelas, no início de abril, avaliará o futuro do país, incluindo as necessidades de financiamento humanitário.

A ONU precisa de 8 bilhões de dólares este ano para atender as necessidades dos sírios que continuaram no próprio país e dos que foram forçados a se deslocar.
“Pedimos aos doadores que mantenham um financiamento adequado e flexível que nos permita responder às enormes necessidades”, disse Grandi. “O financiamento não vai acabar com o sofrimento. Mas é uma das coisas que podemos fazer à medida que a pobreza e a miséria se intensificam. Os recursos atualmente disponíveis simplesmente não cobrem todos os desafios”.

O ACNUR também disse esperar que as recentes iniciativas de paz preparem o caminho para uma resolução duradoura e sustentável. “Sozinhas, as conversas de paz não criarão as condições para que os refugiados retornem”, acrescentou Grandi. “Mas, uma vez que os elementos básicos para a paz duradoura e a segurança sejam estabelecidos, devemos antecipar o maior esforço de reconstrução em uma geração”.

“Entretanto, é essencial que o serviço vital fornecido pela ajuda humanitária seja mantido e que o acesso humanitário se amplie para permitir um apoio que salve a vida de todos os que necessitam.”