Guiné: ONU pede avanço imediato das investigações sobre massacre em estádio de futebol

“Cinco anos após os eventos no estádio, a justiça permanece indefinida para as vítimas”, disse o chefe da ONU para os direitos humanos.

Centenas de pessoas foram mortas e feridas, e centenas de mulheres foram estupradas no 'Estádio do 28 de setembro', em 2009, em Conakry, Guiné. Foto: IRIN

Centenas de pessoas foram mortas e feridas, e centenas de mulheres foram estupradas no ‘Estádio do 28 de setembro’, em 2009, em Conakry, Guiné. Foto: IRIN

O chefe da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu ao Governo da Guiné, nesta sexta-feira (26), que tome medidas imediatas e concretas para avançar com as investigações e abertura de processos das violações de direitos supostamente cometidos pelas forças de segurança do país contra manifestantes pacíficos da oposição em um estádio de futebol há cinco anos.

Em um comunicado de imprensa, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) disse que, em 28 de setembro de 2009, milhares de manifestantes da oposição foram atacados com bombas de gás lacrimogêneo e munição real pelas forças de segurança guineenses. Cerca de 156 pessoas morreram, 109 mulheres foram estupradas e mais de mil pessoas ficaram feridas. Dezenas de pessoas ainda permanecem desaparecidas.

“As vítimas já esperaram muito tempo. Cinco anos após os eventos no estádio, a justiça permanece indefinida para elas”, disse Al Hussein. “A melhor maneira para a Guiné colocar esse episódio terrível para trás é confrontá-lo honestamente, lidar com ele de acordo com a lei e assim reduzir a possibilidade de tais crimes serem cometidos de novo por parte das autoridades do país”, acrescentou.

Até o momento, a investigação conduzida por uma equipe de três magistrados não foi concluída e nenhum processo estabelecido. “Uma mensagem clara deve ser enviada aos níveis mais altos: que a cooperação com a investigação é obrigatória”, disse Al Hussein.